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Sofrendo com constipação: veja 4 dicas para melhorar

Publicado em: 23/06/2026

A constipação intestinal, popularmente conhecida como intestino preso ou prisão de ventre, é uma condição gastrintestinal muito comum que afeta uma parcela significativa da população. Ela se manifesta pela dificuldade em evacuar de forma consistente e periódica, além da presença de fezes duras e ressecadas (1; 2).

A prevalência dessa queixa digestiva varia entre 10% e 20% das pessoas e, além das alterações do ponto de vista de saúde, a constipação pode comprometer significativamente a qualidade de vida (1; 2). Veja no conteúdo abaixo como melhorar os sintomas de constipação.

Constipação: tudo que você precisa saber

A constipação intestinal é caracterizada pela dificuldade frequente ou eventual de defecação. Para fins de diagnóstico, a constipação funcional é definida pela presença de dois ou mais sintomas por pelo menos 12 semanas nos últimos meses (3; 4).

A definição clínica mais recente, baseada nos critérios de Roma IV, exige que o paciente apresente pelo menos dois dos seguintes critérios (5):

● Esforço evacuatório em pelo menos 25% das defecações. 
● Fezes endurecidas ou fragmentadas em pelo menos 25% das evacuações. 
● Sensação de evacuação incompleta em pelo menos 25% das evacuações. 
● Sensação de obstrução ou bloqueio anorretal em pelo menos 25% das evacuações. 
● Manobras manuais para facilitar a evacuação em pelo menos 25% das defecações. 
● Menos de três evacuações por semana.

É importante notar que a constipação é um sintoma, e não uma patologia específica, mas pode, entretanto, apontar para problemas de saúde que exijam investigação (4).

Causas e sintomas da constipação

A constipação pode ser classificada como primária (funcional) ou secundária (orgânica). A forma primária, que é a mais comum, está frequentemente ligada a hábitos de vida inadequados, como o sedentarismo, a alimentação pobre em fibras e a ingestão insuficiente de líquidos. Outras causas primárias incluem a repressão voluntária e progressiva do reflexo evacuatório, a posição incorreta no vaso sanitário, e fatores socioculturais (3; 4; 5; 6; 7).

Já a constipação secundária, por sua vez, pode ser resultado de condições médicas subjacentes, como doenças endócrinas, neurológicas, metabólicas ou pelo uso de certos medicamentos (incluindo opioides, antidepressivos, anti-histamínicos e suplementos de ferro) (2; 3; 6; 7; 9).

A prevalência da condição é maior no sexo feminino e em idosos. Os sintomas incluem a dificuldade de eliminação intestinal, resultando em fezes duras ou fragmentadas, redução da frequência de evacuações, esforço excessivo para evacuar e a sensação de esvaziamento incompleto. A constipação também pode estar associada a outros desconfortos, como dor abdominal recorrente, distensão abdominal e flatulência. Complicações decorrentes do quadro crônico podem incluir hemorroidas, fissuras anais, doenças diverticulares e fecalomas (3; 4; 5; 8; 10).

4 dicas para constipação

O tratamento da constipação intestinal requer uma abordagem multidisciplinar que equilibre a dieta, o estilo de vida e, se necessário, a intervenção farmacológica. As medidas não farmacológicas são a primeira linha de tratamento e devem ser priorizadas (1; 2; 3; 8; 9).

1 - Aumente o consumo de fibras

Uma ingestão adequada de líquidos é fundamental para que as fibras funcionem corretamente, formando um bolo fecal com consistência apropriada. A hidratação insuficiente, por outro lado, pode levar à piora do quadro, causando ressecamento e impactação. Recomenda-se a ingestão hídrica de pelo menos 1,5 a 2 litros de água ou sucos por dia (2; 3; 5; 8; 11).

2 - Mantenha-se hidratado

A fibra alimentar é um agente profilático e terapêutico essencial, pois absorve água no lúmen intestinal, aumentando o volume e promovendo o amolecimento das fezes. Recomenda-se ingerir entre 20 a 35 gramas de fibra por dia para adultos. Fontes ricas em fibras incluem cereais integrais, frutas, legumes e verduras. As frutas, sempre que possível, devem ser consumidas com casca e bagaço (5; 8; 9; 11).

3 - Pratique exercícios físicos regularmente

A atividade física é uma forma eficaz de prevenção e tratamento, pois o exercício estimula a motilidade gastrintestinal e melhora o tônus da musculatura pélvica e abdominal. Mesmo a prática de exercícios leves, como caminhadas diárias por 30 minutos, é benéfica (3; 5; 8; 9; 12).

4 - Estabeleça uma rotina de evacuação

É crucial condicionar o corpo para restabelecer o hábito intestinal normal. Aconselha-se reservar um tempo para tentar evacuar, aproveitando o reflexo gastrocólico, que geralmente ocorre de 5 a 10 minutos após as refeições. A postura correta para defecar, com os pés apoiados, otimiza o potencial muscular abdominal para a expulsão das fezes (3; 8; 9).

Laxante osmótico: aliado contra a constipação

Quando os ajustes no estilo de vida e na dieta (medidas não farmacológicas) não são suficientes para aliviar a constipação, o tratamento farmacológico com laxantes se torna uma etapa essencial, muitas vezes de uso prolongado. Dentre as opções terapêuticas disponíveis, os laxantes osmóticos destacam-se pelo seu mecanismo de ação suave e eficaz (1; 13).

O que é laxante osmótico?

Os laxantes osmóticos, que já falamos aqui no blog neste outro conteúdo especial, pertencem a uma classe de medicamentos que estimulam o intestino de forma não irritativa. O mecanismo de ação baseia-se na presença de agentes hipertônicos que são mal absorvidos no intestino delgado. Ao chegarem ao intestino grosso, estes agentes aumentam o conteúdo de água das fezes. O amolecimento das fezes facilita a evacuação de maneira mais fisiológica (1).

Quais os benefícios do laxante osmótico para a constipação?

O Polietilenoglicol (PEG) é um laxante osmótico que possui vantagens notáveis e é minimamente absorvido pelo organismo, o que impede a irritação do intestino. Os principais benefícios do PEG incluem (1):

● Alta eficácia; 
● Melhor tolerabilidade e aceitação;
● Segurança para uso prolongado.

A chave para o alívio da constipação

O tratamento da constipação intestinal crônica exige uma abordagem abrangente que equilibre dieta, estilo de vida e, quando necessário, intervenção farmacológica. Os laxantes osmóticos, em particular o Polietilenoglicol (PEG), destacam-se como uma das opções mais seguras e eficazes quando o tratamento farmacológico é necessário (1).

No entanto, é fundamental que a utilização de qualquer laxativo seja sempre orientada e monitorada por um profissional de saúde, que poderá definir a dose e a duração adequadas para garantir o sucesso terapêutico e o bem-estar intestinal (1).

Fontes

1 - MYRALIS. Quais os benefícios do laxante osmótico. Sua Saúde Myralis. Disponível em: https://suasaudemyralis.com.br/blog/quais-benecicios-laxante-osmotico

2 - GENTIL, M. E. N.; OLIVEIRA, L. L.; SILVA, M. C. da. Terapias utilizadas no tratamento da constipação intestinal primária. Research, Society and Development, v. 12, n. 13, e43121344220, 2023. DOI: 10.33448/rsd-v12i13.44220.

3 - DINIZ, E. M. S. R. R. Constipação intestinal: uma revisão. 2008. Monografia (Especialização em Saúde Pública) – Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/afc3159c-273b-4794-b24b-64 50a29da59b/content.

4 - PINHEIRO, A. K. et al. Constipação intestinal: tratamento com fitoterápicos. Revista Científica FAEMA, Ariquemes, v. 9, n. ed esp, p. 559-564, maio-jun, 2018. Disponível em: https://repositorio.unifaema.edu.br/bitstream/123456789/2169/1/Artigo.pdf

5 - AJALA, E. R.; MONTEIRO, C.; PORSCH, S. A. G. Indicação farmacêutica de medicamentos isentos de prescrição para o tratamento da constipação intestinal. Revista Interdisciplinar em Ciências da Saúde e Biológicas, [S. l.], v. 2, n. 2, p. 1-17, jul./dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.31512/ricsb.v2i2.2821.

6 - SANTOS JÚNIOR, J. C. M. Constipação intestinal. Ver. Bras. Coloproct., Rio de Janeiro, v. 25, n. 1, p. 79-93, jan./mar. 2005. Acesso em: https://www.jcol.org.br/pdfs/25_1/14.pdf.

7 - SOARES, A. K. A. et al. Hábitos alimentares e uso de laxantes em pacientes com constipação intestinal funcional. Revista Brasileira de Nutrição Clínica, São Paulo, v. 24, n. 1, p. 43-48, jan./mar. 2009. Acesso em: https://revistas.cff.org.br/infarma/article/view/111.

8 - MARQUES, S. J. G. N. S. Manejo da constipação intestinal: uma revisão de escopo. 2023. 33 f. (Monografia de Especialização em Enfermagem em Estomaterapia) – Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2023. Acesso em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/58984.

9 - QUÍLICI, F. A.; QUÍLICI, L. C. M. Constipação intestinal funcional. In: FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE GASTROENTEROLOGIA. Desafios terapêuticos na prática do gastroenterologista. [S. l.]: Federação Brasileira de Gastroenterologia, [s.d.]. Capítulo 18, p. 156-169. DOI: https://doi.org/10.22288/9788520456507000018.

10 - COLLETE, V. L.; ARAÚJO, C. L.; MADRUGA, S. W. Prevalência e fatores associados à constipação intestinal: um estudo de base populacional em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 2007. Cadernos de Saúde Pública, [S.L.], v. 26, n. 7, p. 1391-1402, jul. 2010. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2010000700018

11 - LACERDA, F. V.; PACHECO, M. T. A ação das fibras alimentares na prevenção da constipação intestinal. In: ENCONTRO LATINO AMERICANO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E ENCONTRO LATINO AMERICANO DE PÓS-GRADUAÇÃO, 10., 6., 2006, São José dos Campos. Anais... São José dos Campos: Universidade do Vale do Paraíba, 2006. p. 2466-2476. Acesso em: https://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2006/epg/03/EPG00000435-ok.pdf.

12 - BONET, S.; DIEFENTHAELER, H. S. Avaliação do uso de medicamentos laxantes em grupos de idosos de Barão de Cotegipe-RS. Perspectiva, Erechim, v. 39, n. 145, p. 97-107, mar. 2015. Acesso em: https://www.uricer.edu.br/site/pdfs/perspectiva/145_485.pdf.

13 - GOMES, Patrícia Boechat et al. Polietilenoglicol na constipação intestinal crônica funcional em crianças. Jornal de Pediatria (Rio de Janeiro), v. 87, n. 1, p. 24-28, 2011. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/fiocruz/resource/pt/lil-594006.

 

Autor: Myralis
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