
A constipação intestinal, popularmente conhecida como intestino preso, é uma condição gastrintestinal comum que se manifesta pela dificuldade em evacuar de forma consistente e periódica, além da presença de fezes duras e ressecadas. A prevalência desta queixa digestiva varia entre 10% e 20% da população, afetando principalmente idosos e o sexo feminino, e pode comprometer significativamente a qualidade de vida (1; 2).
Quando ajustes no estilo de vida e na dieta, como o aumento da ingestão de fibras e líquidos, não são suficientes, o tratamento farmacológico com laxantes se torna uma etapa essencial, muitas vezes de uso prolongado. Nestes casos, entre as diversas opções disponíveis, os laxantes osmóticos destacam-se pelo seu mecanismo de ação suave e eficaz (2; 3). Veja a seguir indicações e orientações de quando e como utilizar o laxante osmótico!
O que é laxante osmótico?
Os laxantes osmóticos pertencem a uma classe de medicamentos que agem estimulando o intestino de forma não irritativa, ou seja, sem estimular diretamente os músculos do intestino de forma agressiva. Seu mecanismo de ação principal baseia-se na presença de agentes hipertônicos (íons e moléculas) que são mal absorvidos no intestino delgado e, ao chegarem ao intestino grosso, retém água no lúmen intestinal por meio da osmose, aumentando o conteúdo de água das fezes. Esse aumento de fluidos amolece as fezes e melhora o trânsito intestinal, facilitando a evacuação de maneira mais fisiológica (2; 3; 4).
Exemplos de laxantes osmóticos incluem o Polietilenoglicol (PEG), os sais de magnésio (como o hidróxido de magnésio), e carboidratos não absorvíveis, como a lactulose. O PEG, por exemplo, é um agente osmótico que, por não ser degradado pelas bactérias intestinais, não irrita o intestino e raramente é absorvido pelo organismo (menos de 0,1%) (2; 3; 4; 5).
Entenda os diferentes tipos de laxantes
A escolha da terapia para a constipação deve ser individualizada, considerando a causa, a gravidade e a duração do problema. Quando o manejo dietético e a mudança de hábitos não são eficazes, a intervenção farmacológica é adotada, sendo os laxantes as opções mais conhecidas. Existem vários tipos de laxantes, cada um com um mecanismo de ação distinto (2). Confira abaixo!
- Laxantes osmóticos: aumentam a quantidade de água no intestino, amolecendo as fezes e facilitando a sua passagem (2; 4).
- Laxantes formadores de volume: aumentam o volume das fezes, estimulando os movimentos intestinais e promovendo a evacuação regular, como os suplementos de fibras (2; 4).
- Laxantes estimulantes: atuam diretamente no cólon, estimulando contrações e inibindo a absorção de água e eletrólitos. São frequentemente utilizados como terapia de resgate quando o paciente não evacua há muitos dias (2; 4).
- Laxantes emolientes: facilitam a passagem das fezes, sendo o óleo mineral um exemplo (2; 3 ;4).
Laxante osmótico X outros
Já abordamos em nosso blog um conteúdo sobre a variedade de tratamentos disponíveis para a constipação que você pode acessar clicando aqui. Em linhas gerais, os laxantes osmóticos, particularmente o Polietilenoglicol (PEG), demonstraram ser superiores ou equivalentes a outros agentes no tratamento da constipação, oferecendo vantagens notáveis (3; 4; 6).
Em comparação com a lactulose, outro agente osmótico comum, o PEG tem se mostrado mais efetivo no aumento do número de evacuações semanais e na melhora da consistência das fezes. Além disso, o PEG é frequentemente superior em relação ao sabor e à aceitação, o que é crucial para a adesão ao tratamento, especialmente em crianças (1; 3; 6).
O uso prolongado de outros agentes, como o óleo mineral, lactulose e hidróxido de magnésio, pode levar a uma má aceitação. A lactulose, por exemplo, pode causar efeitos adversos como flatulência, distensão e dor abdominal, e pode desenvolver tolerância a longo prazo (3).
Em contraste com os laxantes estimulantes, cujo uso prolongado tem sido associado a preocupações sobre tolerância e dependência, o PEG tem um mecanismo não irritativo. Enquanto os estimulantes são frequentemente usados em terapias de resgate, o PEG é uma excelente opção para o tratamento de manutenção (2; 3; 4; 5; 6).
5 Principais benefícios do laxante osmótico (PEG) para constipação
Alta eficácia: o PEG demonstrou ser um agente efetivo na melhora dos sintomas da constipação. Em comparação com o placebo, o PEG proporciona um alívio significativamente maior no esforço para evacuar e na redução da dureza das fezes (1; 3).
- Melhor tolerabilidade: por ser insípido e inodoro, essa característica se torna uma vantagem considerável, contribuindo para uma maior adesão ao tratamento, principalmente em pessoas mais sensíveis, como crianças (3; 6).
- Baixa absorção sistêmica: o PEG também é minimamente absorvido pelo organismo, o que contribui para um perfil de segurança favorável (3).
- Menos efeitos colaterais significativos: em comparação com outros laxativos (como a lactulose), o PEG demonstrou causar menos flatulência e distensão abdominal. Embora possa haver eventos adversos (como diarreia ou náusea), estes geralmente são leves e balanceados em comparação com o placebo, e não levam à descontinuação do tratamento (1; 3; 6).
- Segurança para uso prolongado: o uso diário e prolongado do PEG é seguro, sendo uma opção terapêutica sólida para a constipação crônica (1; 3).
Laxantes osmóticos: uma opção eficaz e segura para o bemestar intestinal
O tratamento da constipação intestinal crônica exige uma abordagem abrangente que equilibre dieta, estilo de vida e, quando necessário, intervenção farmacológica. Os laxantes osmóticos, em particular o Polietilenoglicol (PEG), destacam-se como uma das opções mais seguras e eficazes. Devido ao seu mecanismo de ação suave, que retém água nas fezes, e ao seu perfil de baixa absorção e boa tolerabilidade, o PEG é uma excelente alternativa, sendo frequentemente preferido pelos pacientes em relação a outros laxantes (1; 3; 6).
No entanto, é fundamental que o uso de qualquer laxativo seja sempre orientado e monitorado por um profissional de saúde, que poderá definir a dose e a duração adequadas para garantir o sucesso terapêutico e a manutenção do seu bem-estar intestinal.
Fontes
1 - MCGRAW, T. Polyethylene glycol 3350 in occasional constipation: A one-week, randomized, placebo-controlled, double-blind trial. World Journal of Gastrointestinal Pharmacology and Therapeutics, v. 7, n. 2, p. 274-282, 2016. DOI: 10.4292/wjgpt.v7.i2.274.
2 - GENTIL, M. E. N.; OLIVEIRA, L. L.; SILVA, M. C. da. Terapias utilizadas no tratamento da constipação intestinal primária. Research, Society and Development, v. 12, n. 13, e43121344220, 2023. DOI: 10.33448/rsd-v12i13.44220.
3 - GOMES, P. B.; MELO, M. C. B.; DUARTE, M. A.; TORRES, M. R. F.; XAVIER, A. T. Polietilenoglicol na constipação intestinal crônica funcional em crianças. Jornal de
Pediatria (Rio de Janeiro), v. 87, n. 1, p. 24-28, 2011. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/fiocruz/resource/pt/lil-594006.
4 - MYRALIS. Conheça os diferentes tipos de laxantes. Sua Saúde Myralis. Disponível em: https://suasaudemyralis.com.br/blog/conheca-diferentes-tipos-laxantes.
5 - HOJO M.; SHIBUYA, T.; NAGAHARA, A. Management of Chronic Constipation: A Comprehensive Review. Intern Med. 2025 DOI: 10.2169/internalmedicine.2867-23.
6 - PARÉ, P.; FEDORAK, R. N. Systematic review of stimulant and nonstimulant laxatives for the treatment of functional constipation. Canadian Journal of Gastroenterology and Hepatology, v. 28, n. 10, p. 549-557, 2014. DOI: 10.1155/2014/631740.




