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Impactos do estresse na saúde

Publicado em: 03/11/2025

O estresse é definido como um quadro de distúrbios físicos e emocionais provocado por diferentes tipos de fatores que alteram o equilíbrio interno do organismo. Atualmente, o estresse é visto como o responsável, direta ou indiretamente, pela maioria dos males que afligem a vida humana. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, o estresse afeta mais de 90% da população mundial e é considerado uma epidemia global (1; 2). 

 

Apesar de ser um mecanismo natural de defesa do organismo, o estresse, quando crônico, está associado a um vasto leque de doenças físicas e mentais. A forma como o indivíduo lida com as experiências e os eventos estressores determinará a vulnerabilidade de seu organismo à ocorrência de enfermidades físicas e psicológicas (2; 3; 4). Acompanhe a seguir mais detalhes sobre o impacto do estresse na saúde humana!

 

O que é o estresse e como ele se manifesta no organismo 

O estresse, conforme conceituado por Hans Selye, significa a reação inespecífica do organismo frente a qualquer exigência. É um desequilíbrio substancial entre a capacidade de demanda (física ou psicológica) e a capacidade de resposta (3). Hans Selye, o primeiro a formular o conceito de estresse, dividiu a resposta do organismo aos agentes estressores em três estágios, com propósito evolutivo (1; 2; 3):

 

  • Estágio de Alarme: quando o corpo reconhece o estressor e ativa o sistema neuroendócrino. A função dessa resposta é preparar o organismo para a ação de "luta ou fuga".
  • Estágio de Adaptação (ou Resistência): quando o organismo tenta reparar os danos causados pela reação de alarme, reduzindo os níveis hormonais.
  • Estágio de Exaustão: quando o estresse persiste e a energia de adaptação se esgota.

Reação fisiológica ao estresse

 

A reação fisiológica do estresse envolve dois sistemas principais: o sistema nervoso e o sistema de glândulas endócrinas. O organismo reage imediatamente ao estímulo estressor, disparando uma série de reações via sistema nervoso, sistema endócrino e sistema imunológico, através da estimulação do hipotálamo e do sistema límbico (3). 

 

A resposta hormonal do estresse é acentuada, sobretudo no eixo hipotálamo-hipófise-córtex da supra-renal (HHA). O cortisol (glicocorticoide) é o principal hormônio com funções moduladoras das defesas do organismo. Já a noradrenalina e a adrenalina (catecolaminas), secretadas em resposta à estimulação simpática, são responsáveis pelas respostas imediatas, como o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca (1; 2; 3).

 

Diferença entre estresse agudo e crônico 

O estresse agudo dura alguns momentos, horas ou dias e depois se dissipa. Ele prepara o organismo para a luta ou fuga, através da ativação do sistema endócrino. De modo geral, o organismo humano está muito bem adaptado para lidar com o estresse agudo, se ele não ocorre com muita frequência (1; 3; 5). 

 

Já o estresse crônico é aquele que persiste por mais tempo, sem encontrar meios que o desativem eficientemente. Quando essa condição se torna repetitiva ou crônica, seus efeitos se multiplicam em cascata, desgastando seriamente o organismo (1; 3; 5).

 

Principais impactos do estresse na saúde física

O estresse é um fator de risco para inúmeras patologias que afligem as sociedades humanas. As reações ligadas ao estresse resultam de esforços de adaptação, e se a reação for muito intensa ou prolongada, pode levar ao desenvolvimento ou maior predisposição a doenças (1; 3). Veja a seguir os principais exemplos!

 

Sistema cardiovascular e pressão arterial

O estresse crônico pode induzir ou agravar as doenças cardiovasculares. Isso porque a exposição a diferentes tipos de eventos estressores demonstram a rápida reação do coração às modificações no ambiente, o que induz alterações na frequência cardíaca (2; 4).

 

Já no que diz respeito à pressão arterial, ele também é associado devido ao fato de que a amplitude da frequência cardíaca é influenciada pela atividade motora que acompanha o estresse. A noradrenalina e a adrenalina (catecolaminas) são liberadas imediatamente, causando taquicardia e aumento da pressão arterial (2).

 

Alterações no sono e fadiga constante

A insônia é outro sintoma comum relacionado à depressão e pode afetar o funcionamento das defesas imunológicas. Durante a fase de resistência da Síndrome da Adaptação Geral (SAG), a pessoa pode manifestar insônia e irritabilidade. O excesso de estresse pode levar ao rompimento dos padrões de sono, resultando em dificuldade para dormir ou permanecer adormecido por mais de quatro horas (1; 3).

 

Sistema imunológico enfraquecido

O estresse também está fortemente relacionado ao enfraquecimento das defesas imunológicas. Estudos pioneiros, como os de Louis Pasteur, demonstraram que organismos expostos a condições estressantes eram mais suscetíveis a infecções bacterianas (1). 

 

Ele está relacionado à diminuição das defesas do organismo, aumentando a susceptibilidade a infecções, como herpes, gripe e resfriado. O risco de desenvolvimento de doenças infecciosas também aumenta em indivíduos cronicamente estressados, especialmente em idosos que já têm defesas debilitadas (1; 5).

 

Efeitos do estresse na saúde mental e emocional

A presença do estresse crônico é um fator de risco para doenças psiquiátricas, incluindo ansiedade, depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (PTSD) (4).

 

O estresse e a ansiedade, quando exacerbados e cronificados, são observados com diversas alterações nos sistemas do organismo. Se a intensidade e a duração do estresse excedem os níveis adaptativos do corpo, ele se configura como um distúrbio psicológico, trazendo sofrimento ao indivíduo (5).

 

Já a depressão é frequentemente associada ao estresse prolongado, pois sintomas depressivos são prevalentes em doenças de natureza inflamatória. O estresse crônico pode induzir um quadro endócrino característico de pacientes com depressão, causando resistência adquirida aos glicocorticoides (1; 3; 4).

 

Alterações de humor e dificuldade de concentração

Assim como o surgimento de depressão e sensação de desamparo, outras manifestações emocionais incluem o aumento das tensões físicas e psicológicas, enfraquecimento das restrições de ordem moral e emocional, e a diminuição aguda da autoestima. Por isso, a fase de resistência do estresse já se caracteriza por mudanças de humor (3).

 

No âmbito cognitivo, o estresse excessivo causa o decréscimo da concentração e da extensão da atenção, levando a dificuldades para a mente permanecer concentrada. Outros efeitos cognitivos incluem a deterioração da memória de curto e longo prazo, o aumento do índice de erros em tarefas cognitivas e manipulativas, a velocidade de resposta imprevisível, a deterioração dos poderes de organização e planejamento a longo prazo e o aumento de distúrbios de pensamento (3).

 

Estratégias baseadas em evidências para lidar com o estresse

 

  • Práticas de relaxamento e respiração: abordagens multidisciplinares, como a prática de mindfulness, yoga e técnicas de relaxamento, destacam-se por sua eficácia na regulação neuroendócrina, aumentando a adaptabilidade fisiológica e psicológica ao estresse crônico (6).
  • Importância da atividade física regular: o aumento da atividade física e mental é defendido como uma intervenção ambiental benéfica para melhorar as respostas do organismo ao estresse e retardar o processo de envelhecimento. Estudos demonstram que a atividade física regular ajuda no controle dos níveis de cortisol e citocinas inflamatórias, e na preservação de estruturas cerebrais como o hipocampo (4; 6).
  • Sono de qualidade como fator protetor: o excesso de estresse pode romper os padrões de sono que podem afetar negativamente o funcionamento das defesas imunológicas. Por este motivo, criar uma rotina com hábitos saudáveis e praticar a higiene do sono é uma recomendação (1; 3).
  • Apoio psicológico e acompanhamento médico: o apoio psicológico é fundamental para o enfrentamento de situações adversas. Além disso, o manejo do estresse crônico exige uma abordagem multidisciplinar envolvendo médicos, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, farmacêuticos, fisioterapeutas e enfermeiros (6; 7).

Viver com menos estresse é possível: a importância do cuidado contínuo

Entendemos por fim que o estresse tem um impacto significativo na saúde, e a variabilidade das respostas individuais impõe a necessidade de individualizar os tratamentos e reconhecer as singularidades de cada paciente (4). 

 

É necessário articular mudanças nas condições de vida e de trabalho na sociedade para que os fatores geradores de estresse (estressores) sejam anulados ou minimizados. A compreensão do acompanhamento multiprofissional, com abordagens integrativas, representa uma perspectiva promissora para o tratamento e controle desse agravo à saúde pública (6; 8).

 

Referências 

1 - BAUER, M. E. Estresse: Como ele abala as defesas do corpo. Ciência Hoje, v. 30, n. 179, p. 20-25, 2002. Disponível em: https://www.academia.edu/34020303/Estresse_como_ele_abala_as_defesas_do_corpo. 

2 - NODARI, N. L. et al. Estresse, conceitos, manifestações e avaliação em saúde: revisão de literatura. Revista Saúde e Desenvolvimento Humano. v. 2, n. 1, p. 61-74, maio 2014. Disponível em: https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/saude_desenvolvimento/article/view/1543. 

3 - ARALDI-FAVASSA, C. T.; ARMILIATO, N.; KALININE, I. Aspectos Fisiológicos e Psicológicos do Estresse. Revista de Psicologia da UnC, v. 2, n. 2, p. 84-92, 2005. Disponível em: https://ria.ufrn.br/jspui/handle/123456789/2552. 

4 - ANTUNES, J. Estresse e doença: o que diz a evidência. Psicologia, Saúde & Doenças, v. 20, n. 3, p. 590-603, 2019. Disponível em: https://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862019000300004&lng. 

5 - NASCIMENTO, A. G. et al. Os impactos do estresse e ansiedade na imunidade: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 15, n. 12, p. 1-7, dez. 2022. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e11330.2022. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/11330. 

6 - SANTOS, J. et al. Efeitos do estresse crônico na saúde física e mental: estratégias de intervenção multiprofissional. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 6, p. 1196–1207, 2025. DOI: 10.36557/2674-8169.2025v7n6p1196-1207. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/5978. 

7 - LINHARES, M. B. M. Estresse precoce no desenvolvimento: impactos na saúde e mecanismos de proteção. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 33, n. 4, p. 587-599, out./dez. 2016. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1982-02752016000400003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/estpsi/a/Sp37RNtbJQKzBPPTKBWJrfj/?lang=pt. 

8 - SILVA, D. P.; SILVA, M. N. R. M. O. O trabalhador com estresse e intervenções para o cuidado em saúde, 2015. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-7746-sip00032. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tes/a/QRrvZhMPtdz4bMGrJHSZbxt/?lang=pt.

Autor: Myralis
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