
A vitamina D tem ganhado cada vez mais destaque quando o assunto é saúde e bem-estar. Conhecida principalmente por seu papel no fortalecimento dos ossos, ela também está ligada a várias outras funções importantes no nosso corpo.
Neste conteúdo, você vai entender por que essa vitamina é tão essencial, de onde ela vem, como pode ser consumida e quais são as diferentes formas disponíveis no mercado para garantir que você e sua família estejam recebendo a dose certa todos os dias.
Entenda a importância da Vitamina D para a saúde
A vitamina D, uma designação que engloba diversos compostos com a capacidade de prevenir e curar o raquitismo, é atualmente reconhecida como um hormônio lipossolúvel vital para a manutenção da homeostase humana (1; 2).
A sua relevância transcende a saúde óssea, sendo elevada a ocorrência dos níveis inadequados de vitamina D na população, e configurando um problema de saúde pública global que afeta países, incluindo na América do Sul. Essa preocupação crescente e o número de doenças associadas à sua deficiência têm impulsionado a importância da sua suplementação na prática clínica.
Funções da Vitamina D no organismo
A principal função da vitamina D é a regulação e manutenção dos níveis no sangue. Ela realiza a absorção no intestino desses minerais e ajuda na formação dos ossos, além de ter ações em outras partes do corpo, agindo como se fosse um hormônio, refinando alguns mecanismos importantes para um corpo saudável. Estas ações incluem:
- Regulação do sistema imunológico: a vitamina D exerce um papel de auxiliar na regulação do sistema imune, tanto para microrganismos que vêm de fora do nosso corpo, como para alterações que podem ocorrer dentro de nosso próprio sistema de defesa.
- Sistema musculoesquelético: atua na força muscular e equilíbrio, influenciando a síntese proteica e a velocidade de contração muscular (2).
- Sistema cardiovascular: níveis adequados de vitamina D são essenciais para a saúde cardiovascular, influenciando a formação e elasticidade dos vasos sanguíneos. (1; 2).
- Metabolismo da insulina: evidências sugerem que a vitamina D influencia o controle da glicose, ajudando na liberação de insulina para o sangue (2).
- Reprodução: auxilia na formação de óvulos e espermatozoides que impactam a fertilidade.
Quais as principais fontes de Vitamina D?
A vitamina D pode ser obtida de duas formas principais: pela própria produção do nosso corpo através da exposição da pele à luz solar ou pela dieta e suplementação.
- Síntese Cutânea: cerca de 80% a 90% da vitamina D necessária ao organismo é produzida na pele. A radiação ultravioleta B (UVB) da luz solar (entre 290 e 315 nm) converte o 7-deidrocolesterol (presente na pele) em pré-vitamina D3, que então se modifica em vitamina D3 (colecalciferol) (3). A quantidade de melanina na pele e a latitude geográfica influenciam a síntese de vitamina D. Pessoas de pele mais escura e em latitudes mais distantes do Equador, podem necessitar de mais tempo de exposição ao sol para produzir vitamina D adequadamente. Idosos também apresentam menor reserva de 7-deidrocolesterol, portanto podem ter dificuldade em produzir uma quantidade adequada de vitamina D mesmo com boa exposição ao sol. (2).
- Fontes Dietéticas: a dieta contribui com apenas 10% a 20% da vitamina D necessária (2). As duas formas dietéticas mais importantes são (2):
- Vitamina D2 (Ergocalciferol): encontrada em plantas e fungos comestíveis.
- Vitamina D3 (Colecalciferol): presente em alimentos de origem animal, como peixes de água fria e profunda (salmão, atum), óleo de fígado de bacalhau e ostras cruas. Leite fortificado também é uma fonte.
Deficiência de Vitamina D e suplementação
A deficiência ou insuficiência de vitamina D é um fator de risco para diversas doenças, sendo as principais, as doenças relacionadas ao osso, já que níveis baixos dessa vitamina resultam em anormalidades na formação e manutenção dos ossos. Dentre estas doenças, pode-se destacar:
- Raquitismo em crianças: caracterizado por alteração na formação óssea, com osso mais fraco e amolecido, podendo ficar arqueado, pelo peso do corpo, levando a deformidades ósseas definitivas ou fraturas com facilidade. Em casos graves pode levar também a fraqueza muscular.
- Osteomalácia em adultos: se assemelha ao raquitismo, só que este ocorre na vida adulta, caracterizado tanto com fraqueza como amolecimento ósseo, que podem levar também a fraturas com facilidade, mas também com deformidades, pelo peso do corpo, mais raras do que acontecem na infância, mas que ainda podem ocorrer.
- Osteoporose: caracterizado pela perda de massa do osso na vida adulta, com osso fraco, mas não amolecido, levando a fraturas com facilidade como por exemplo fraturas quando se cai do próprio nível que está, como por exemplo somente tropeçar ou escorregar e assim cair. Aqui o osso não é amolecido, então deformidades não tendem a acontecer.
A suplementação de vitamina D torna-se necessária em casos de doenças ósseas já diagnosticadas, pessoas com fatores de risco para doenças ósseas (por exemplo: baixa exposição solar, baixo peso e desnutrição, sedentarismo, menopausa, doença renal crônica mais grave, cirurgia bariátrica do tipo bypass e etc).
A ingestão diária recomendada (RDA) para a maioria dos adultos é de 600 UI, enquanto o limite máximo é variável conforme a idade ou época de vida, como para gestantes e lactantes. A média de dose da grande maioria dos estudos em que houve a suplementação de vitamina D, foi de 2000 UI ao dia. No entanto, o uso indiscriminado de vitamina D pode levar a intoxicação (hipervitaminose D), especialmente se doses 10 vezes maiores do que as indicadas forem consumidas por vários meses (2). A intoxicação pode causar:
- Elevado níveis no sangue de cálcio (hipercalcemia);
- Perda de massa óssea e fragilidade óssea;
- Formação de cálculos renais e lesão renal permanente;
- Sintomas como falta de apetite, náuseas, vômitos, aumento da micção, fraqueza, nervosismo, hipertensão arterial e sede;
Conheça diferentes formas de Vitamina D e encontre a ideal para você
A vitamina D pode ser obtida por meio de suplementos disponíveis em diversas apresentações farmacêuticas. As fontes consultadas neste artigo abordam principalmente as duas formas químicas da vitamina D: ergocalciferol (Vitamina D2), de origem vegetal, e colecalciferol (Vitamina D3), de origem animal ou sintetizada na pele (2).
A vitamina D encontrada em suplementos alimentares está na forma de colecalciferol. A preferência na produção da vitamina D na forma de colecalciferol a ergocalciferol se dá devido sua melhor potência e estabilidade na formulação (6).
O calcifediol é uma outra forma de vitamina D encontrada em suplementos alimentares. Esta forma, é a forma já com uma metabolização do colecalciferol, porém indicado para determinados pacientes que possuem níveis no sangue extremamente baixos de vitamina D ou com dificuldade de absorção intestinal, devido conseguir melhorar os níveis de vitamina D de forma mais rápida no sangue (7).
Vitamina D em Gotas
A vitamina D pode ser encontrada em forma de gotas e ajuda a manter os níveis adequados dessa vitamina no sangue, sendo usadas tanto para prevenir quanto para corrigir deficiências. O colecalciferol é indicado para manutenção ou deficiência leve a moderada. Em geral, recomenda-se de 4 a 8 gotas por dia, dependendo da concentração do produto e do nível de vitamina D no sangue (3).
Vitamina D em Gomas
As balas de gelatina, ou gomas, são confeitos populares em alguns países e representam a categoria de confeitos funcionais ou fortificados com vitaminas e minerais.
Vitamina D em Cápsulas e Comprimidos
A vitamina D pode ser administrada por via oral na forma de cápsulas e comprimidos (3). Eles podem ser usados para suplementação de colecalciferol, com doses diárias sugeridas de 2.000 UI e 1.000 UI para manutenção. Já o calcifediol é uma forma de ação mais rápida da vitamina D e costuma ser usada em doses diárias de 10 mcg ao dia.
Saúde Óssea: Vitamina D + Cálcio + Magnésio + K2_7
- Vitamina D e Cálcio: a vitamina D age absorvendo cálcio pelo intestino. O cálcio, por sua vez, também tem papel importante para o fortalecimento de ossos e dentes. Estudos mostram que a suplementação de cálcio com vitamina D reduziram significativamente o risco de fratura de quadril. A combinação de Vitamina D e cálcio pode ser superior à Vitamina D isolada na diminuição do risco de quedas e fraturas (4; 5).
- Vitamina D e Magnésio: o magnésio é citado como um fator dietético que participa do metabolismo da Vitamina D (3).
- Vitamina D e Vitamina K (K2_7): a Vitamina K é descrita como um modulador da Vitamina D. A vitamina K ajuda o cálcio absorvido pela vitamina D a se direcionar para os ossos com maior facilidade.
Vitamina D e a Manutenção da Saúde Humana
Em suma, a vitamina D é um hormônio com um papel multifacetado e imprescindível para o equilíbrio do organismo humano. É essencial para a manutenção dos níveis no sangue de cálcio e do fosfato, bem como para a saúde óssea, a modulação imunológica, a função muscular e o metabolismo da glicose (2).
Alterações ou deficiências podem levar a distúrbios orgânicos graves, como raquitismo em crianças, osteomalácia e osteoporose em adultos. Estas doenças ósseas têm grande impacto na qualidade de vida e quando há alguma fratura, vistas com maior frequência na osteoporose, a mortalidade é aumentada. A administração de suplementos de vitamina D deve ser realizada de forma e orientada por profissionais de saúde, dada a possibilidade de intoxicação e seus efeitos adversos (2; 8).
Referências
1 - INSTITUTO NACIONAL DE SAÚDE (EUA). Escritório de Suplementos Dietéticos. Vitamina D: Ficha informativa para profissionais de saúde. [S. l.]: [s.n.], 2019. https://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminD-HealthProfessional.
2 - CASTRO, L. C. G. O sistema endocrinológico da vitamina D. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, Brasília, DF, v. 55, n. 8, p. 566-575, nov. 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S0004-27302011000800010.
3 - BENDOTTI, G. et al. Vitamin D Supplementation: Practical Advice in Different Clinical Settings. Nutrients, Basel, v. 17, n. 783, 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/nu17050783.
4 - DEMAY, M. B. et al. Vitamin D for the Prevention of Disease: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Oxford, v. 109, p. 1907–1947, 2024. DOI: https://doi.org/10.1210/clinem/dgae290.
5 - GRANT, W. B. et al. Vitamin D: Evidence-Based Health Benefits and Recommendations for Population Guidelines. Nutrients, Basel, v. 17, n. 277, 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/nu17020277.
6 - VIETH, R. Vitamin D supplementation: cholecalciferol, calcifediol, and calcitriol. Eur J Clin Nutr 74, 1493–1497 (2020). https://doi.org/10.1038/s41430-020-0697-1.
7 - QUESADA-GOMES, J.M.; BOUILLON, R. Is calcifediol better than cholecalciferol for vitamin D supplementation? Osteoporos, Int. 2018 Aug;29(8):1697-1711. doi: 10.1007/s00198-018-4520-y. Epub 2018 Apr 30. PMID: 29713796.
8 - BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). PCDT Resumido da Osteoporose. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em:
https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/resumidos/PCDTResumidoOsteoporose.pdf.
9 - BIKLE, D. D.; ADAMS, J. S.; CHRISTAKOS, S. Vitamin D: Production, Metabolism, Mechanism of Action, and Clinical Requirements. In: Nissenson, R. A.; Jüppner, H. (Eds.). Primer on the Metabolic Bone Diseases and Disorders of Mineral Metabolism. 8. ed. Hoboken, NJ: Wiley-Blackwell, 2013, cap. 29, p. 235-247.




