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Tudo que você precisa saber sobre pré-eclâmpsia na gravidez

Publicado em: 04/03/2026

A gestação é um período de intensas transformações e expectativas, mas também exige atenção cuidadosa à saúde da mãe e do bebê. Entre as condições que requerem maior vigilância está a pré-eclâmpsia, uma complicação que afeta entre 3% a 5% das gestações em todo o mundo e é uma das principais causas de parto prematuro e mortalidade materna (1; 2; 3). Compreender esta condição é o primeiro passo para garantir um acompanhamento pré-natal seguro e eficaz. Confira no conteúdo a seguir as principais informações e orientações! 

 

O que é pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é definida como o surgimento de pressão arterial elevada (hipertensão) após a 20ª semana de gestação. Para o diagnóstico, essa pressão alta geralmente é acompanhada pela presença de proteína na urina (proteinúria) ou, na sua ausência, por evidências de disfunção em outros órgãos, como os rins, o fígado ou o sistema neurológico (1; 2; 3).

 

Embora ocorra mais frequentemente na segunda metade da gravidez, ela também pode se manifestar pela primeira vez durante o parto ou até mesmo no período pós-parto. Quando a condição evolui para convulsões, é classificada como eclâmpsia, uma emergência médica grave (1; 2; 4).

 

Por que pode ocorrer durante a gravidez

A causa exata da pré-eclâmpsia ainda é estudada nos dias atuais, mas sabe-se que ela tem origem na placenta. O processo começa logo no início da gravidez, quando os vasos sanguíneos que deveriam levar sangue para a placenta (chamados de artérias espiraladas) não se desenvolvem ou não se remodelam corretamente (1; 2; 5).

 

Este não desenvolvimento correto resulta em uma redução do fluxo sanguíneo e oxigenação para o feto. Em resposta a essa deficiência, a placenta libera substâncias na circulação da mãe que causam uma inflamação generalizada e danos nas paredes dos vasos sanguíneos (disfunção endotelial), levando ao aumento da pressão arterial e aos danos nos órgãos maternos (1; 2; 5).

 

Fatores de risco e prevenção

Identificar precocemente quem possui maiores chances de desenvolver a pré-eclâmpsia é fundamental para que a equipe médica possa intervir de forma preventiva. Veja a seguir os principais riscos e como prevenir.

 

Entenda os riscos

Existem diversos fatores que podem aumentar a probabilidade de uma gestante apresentar pré-eclâmpsia, divididos entre riscos altos e moderados:
 

  • Histórico pessoal ou familiar: mulheres que já tiveram pré-eclâmpsia em gestações anteriores ou que possuem parentes próximas (mãe ou irmã) com histórico da doença (1; 3).
  • Condições de saúde pré-existentes: hipertensão crônica, doenças renais, diabetes (tipo 1 ou 2), obesidade (IMC acima de 35) e doenças autoimunes, como o lúpus (1; 3; 4).
  • Fatores da gestação atual: primeira gravidez (nuliparidade), gravidez de gêmeos ou múltiplos, e o uso de técnicas de fertilização in vitro (1; 2; 3).
  • Outros fatores: idade materna avançada (acima de 40 anos), etnia (mulheres negras possuem risco elevado) e um intervalo de mais de 10 anos entre as gestações (1; 3; 4).

Como prevenir a pré-eclâmpsia?

Embora nem sempre possa ser evitada, a ciência aponta caminhos eficazes para reduzir significativamente o risco em mulheres predispostas: 

 

1. Aspirina em baixa dose: o uso de 75 a 150 mg de aspirina, iniciado preferencialmente antes da 16ª semana de gestação, é a estratégia preventiva com evidências mais robustas, desde que, é claro, seja indicado seu uso pelo profissional da saúde que esteja acompanhando a gestação da paciente (1). 

2. Estilo de vida saudável: a manutenção de um peso adequado antes e durante a gestação, uma dieta equilibrada e a prática regular de exercícios físicos ajudam a fortalecer o sistema vascular e podem reduzir o risco em até 25% (1; 3; 4).
3. Pré-natal rigoroso: consultas frequentes permitem o monitoramento constante da pressão arterial e a detecção precoce de qualquer alteração (3).


Sintomas da pré-eclâmpsia na gravidez

Muitas vezes, a pré-eclâmpsia pode ser silenciosa no início. Por isso, é vital estar atenta aos seguintes sinais de alerta e comunicá-los imediatamente ao seu médico: 
 

  • Dores de cabeça severas e persistentes, que não melhoram com analgésicos comuns (3; 5; 6).
  • Alterações visuais, como visão embaçada, sensibilidade à luz (fotofobia) ou a percepção de pontos brilhantes/manchas na visão (3; 5; 6).
  • Dor intensa na parte superior do abdômen, geralmente abaixo das costelas no lado direito (3; 5; 6).
  • Inchaço (edema) repentino, especialmente nas mãos, rosto e ao redor dos olhos (3; 6).
  • Náuseas ou vômitos que começam subitamente na segunda metade da gravidez (3; 5; 6).
  • Diminuição da quantidade de urina ou ganho de peso muito rápido (1; 2; 5).

O cuidado precoce é a melhor proteção contra a pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia é uma condição complexa e potencialmente grave, mas, com o diagnóstico antecipado e o manejo adequado, a maioria das mulheres consegue levar a gestação a um desfecho positivo. O acompanhamento pré-natal detalhado, aliado ao conhecimento dos sintomas e ao controle dos fatores de risco, permite que a equipe médica tome decisões seguras para proteger a vida da mãe e do bebê (3; 4).
 

Lembre-se: o diálogo aberto com seu obstetra e a realização de todos os exames recomendados são as suas ferramentas mais poderosas para uma gravidez saudável. Recomendamos também que você continue acompanhando os artigos e orientações do blog Sua Saúde Myralis para ficar sempre bem informado e cuidar da sua saúde e do seu bem-estar.

 

Fontes:

1 – FOX, R. et al. Preeclampsia: Risk Factors, Diagnosis, Management, and the Cardiovascular Impact on the Offspring. Journal of Clinical Medicine, v. 8, n. 10, art. 1625, p. 1-22, 2019. DOI: 10.3390/jcm8101625.

 

2 – PHIPPS, E. A. et al. Pre-eclampsia: pathogenesis, novel diagnostics and therapies. Nature Reviews Nephrology, v. 15, n. 5, p. 275–289, 2019. DOI: 10.1038/s41581-019-0119-6.
 

3 – ALVES, N. C. O. et al. Fatores de risco e manifestações clínicas da pré-eclâmpsia: uma revisão integrativa. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 7, p. 792-805, 2024. DOI: 10.36557/2674-8169.2024v6n7p792-805.

 

4 – CARDOSO, A. M. S. et al. Pré-eclâmpsia: uma revisão bibliográfica dos fatores de risco e estratégias preventivas. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar, v. 5, n. 3, p. e534954, 2024. DOI: 10.47820/recima21.v5i3.4954.

 

5 – NORONHA NETO, C.; SOUZA, A. S. R.; AMORIM, M. M. R. Tratamento da pré-eclâmpsia baseado em evidências. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 32, n. 9, p. 459-468, 2010. DOI: 10.1590/S0100-72032010000900008.

 

6 – KARRAR, S. A.; MARTINGANO, D. J.; HONG P. L. Preeclampsia. In: StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK570611.

Autor: Myralis
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