
A menopausa é uma fase natural e significativa na vida das mulheres, caracterizada como um período de transição que envolve complexas alterações fisiológicas, emocionais e sociais (1; 2; 3). Geralmente, ela ocorre entre os 45 e 55 anos de idade. Essa transição hormonal e física pode interferir drasticamente não apenas na saúde física, mas também na saúde mental e emocional das mulheres (1; 4; 4).
O impacto psicológico decorrente da menopausa tem recebido crescente atenção, sendo reconhecido que essa mudança hormonal influencia o bem-estar emocional e a qualidade de vida feminina (1; 4). Entenda a seguir mais detalhes sobre a conexão entre menopausa e saúde mental.
Entendendo a menopausa
A menopausa natural é definida pela falta de menstruação durante 12 meses consecutivos, sendo causada pela diminuição dos níveis de estrogênio no organismo em decorrência do envelhecimento natural (4; 6). Esse período de transição é conhecido como climatério, que assinala a passagem da fase reprodutiva para a não reprodutiva (2; 7).
As mudanças hormonais são marcadas pela queda gradual dos hormônios sexuais femininos, principalmente estrogênio e progesterona. Os hormônios têm um papel importante na regulação do corpo, ligando-se a receptores específicos e desencadeando respostas celulares que influenciam o crescimento, o metabolismo e o controle do ciclo reprodutivo, além de impactarem o humor e o comportamento (1; 4; 5; 7).
Além disso, o desequilíbrio hormonal pode causar uma série de alterações fisiológicas, como fogachos, ressecamento vaginal, redução da libido, dificuldade de concentração e sono pouco reparador (4).
Sintomas físicos mais comuns
Os sintomas físicos mais comuns associados à menopausa são:
- Vasomotores, como ondas de calor (fogachos) e suores noturnos (6)
- Distúrbios do sono, como insônia e despertares noturno (2)
- Sintomas urogenitais como atrofia vaginal, ressecamento vaginal, dispareunia e infecções urinárias recorrentes (4; 6; 9)
- Outros sintomas físicos relevantes são a fadiga, o ganho de peso e as dores musculoesqueléticas (6; 9)
A relação entre menopausa e saúde mental
A transição para a menopausa é considerada um período de vulnerabilidade para o surgimento de sintomas de humor, como ansiedade e irritabilidade, devido às flutuações hormonais. As consequências psicológicas da menopausa incluem frequentemente sintomas de ansiedade, depressão e oscilações de humor (1; 7).
Estudos brasileiros em ambiente ambulatorial indicam uma alta prevalência de transtornos depressivos e ansiosos. Em uma amostra específica, 57% das mulheres apresentavam algum diagnóstico psiquiátrico atual, sendo o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) o mais prevalente (34,9%), seguido pela Depressão Maior (DM) (31,4%) (10).
Além disso, a menopausa também pode influenciar a função cognitiva. As mulheres podem relatar dificuldades de concentração e memória. O estrogênio tem um efeito protetor no hipocampo e no córtex pré-frontal, regiões cerebrais responsáveis pelo funcionamento cognitivo. O declínio hormonal (hipoestrogenismo), em conjunto com o aumento dos níveis de cortisol (associado a fatores físicos e psicológicos), acelera a degeneração neuronal, influenciando o início ou a progressão de doenças neurodegenerativas e impactando a função cognitiva (9).
Depressão e menopausa: fatores de risco
O risco de desenvolver sintomas depressivos aumenta significativamente durante a perimenopausa, mesmo em mulheres sem histórico psiquiátrico prévio (7). Fatores que aumentam a vulnerabilidade à depressão e outros transtornos mentais incluem:
- Histórico psiquiátrico prévio (11)
- Fatores socioeconômicos e demográficos (3; 12)
- Flutuações hormonais (3)
- Estressores psicossociais (3; 13)
Estratégias para lidar com os impactos psicológicos
Para o gerenciamento do estresse e dos impactos psicológicos, a literatura sugere a implementação de estratégias abrangentes, incluindo abordagens psicoterapêuticas e práticas integrativas (4).
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é amplamente indicada e demonstra resultados promissores na melhoria da saúde mental. A TCC ajuda as mulheres a reestruturar pensamentos negativos e a desenvolver mecanismos de enfrentamento saudáveis, identificando e modificando padrões que geram expectativas excessivas, promovendo pensamentos mais realistas (4; 5; 6).
A prática regular de atividade física é uma das ações eficazes que comprovadamente melhora a saúde mental das mulheres na menopausa. A atividade física, quando praticada regularmente, pode trazer satisfação comparável ao uso de fármacos no alívio dos sintomas. Os benefícios do exercício físico incluem melhora do humor, melhora na qualidade do sono, redução da ansiedade e benefícios para os distúrbios cognitivos (4; 5; 6).
Também é válido considerar que o suporte social e familiar é crucial, pois a compreensão e o incentivo de pessoas próximas ajudam a diminuir a sensação de isolamento e insegurança. A terapia de grupo também é uma forma de apoio social que permite a troca de experiências (5).
É essencial uma abordagem multidisciplinar e integrada no cuidado à mulher climatérica. Essa abordagem deve envolver a colaboração de profissionais como médicos, nutricionistas, psicólogos e enfermeiros, garantindo um cuidado holístico e personalizado (2; 7; 13).
Sinais de alerta e quando buscar ajuda
A menopausa pode ser um período de desafios emocionais significativos. É crucial reconhecer os sinais de alerta e a importância de procurar ajuda profissional, especialmente considerando a alta prevalência de transtornos mentais comuns (como 39,8% em uma amostra estudada) (3; 4).
Mudanças persistentes de humor como baixa autoestima, sentimentos de tristeza ou desânimo que persistem, mesmo com o apoio de familiares e amigos, e também sintomas que afetam a qualidade de vida como insônia, despertares frequentes, sentir-se cansada o tempo todo ou se cansar com facilidade são sinais de alerta indicativos da necessidade de buscar auxílio profissional (1; 3; 5; 7; 12).
Cuidando da saúde mental durante a menopausa: práticas que fazem diferença
O climatério e a menopausa são processos complexos, influenciados por fatores biológicos, psicológicos e sociais, exigindo uma abordagem integral e humanizada. Ao reconhecer e enfrentar os desafios emocionais da menopausa de forma integrada, as mulheres podem promover seu bem-estar mental e emocional, garantindo uma transição mais saudável e equilibrada (2; 4; 7).
Referências
1. MENDONÇA, J. et al. Efeitos psicológicos e emocionais do climatério na qualidade de vida da mulher. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, v. 3, n. 2, 2024. DOI: https://doi.org/10.36557/pbpc.v3i2.165.
2. VERAS, A. B. et al. Prevalência de transtornos depressivos e ansiosos em uma amostra ambulatorial brasileira de mulheres na menopausa. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 28, n. 2, p. 130-134, maio/ago. 2006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-81082006000200005.
3. VERAS, A. B. et al. Impacto dos transtornos depressivos e ansiosos sobre as manifestações da menopausa. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, v. 29, n. 3, p. 315-320, 2007. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-81082007000300011.
4. ANDRADE, N. G. A. et al. Impacto da menopausa na saúde mental e física: uma abordagem multidisciplinar. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 8, 2024. DOI: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p3042-3057.
5. TEDESCO, K.; SILVEIRA, M. M. Autoestima, autoimagem, qualidade de vida e de saúde de mulheres na pós-menopausa. Espaço Saúde, v. 22, p. 1-11, 2021. DOI: https://doi.org/10.22421/1517-7130/es.2021v22.e788.
6. GALENO, R. S. et al. Menopausa e suas consequências psicológicas. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 5, n. 4, p. 1357-1367, 2023. DOI: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2023v5n4p1357-1367.
7. MEDEIROS, N. C. B. Estratégias para melhorar saúde mental de mulheres na menopausa: uma revisão integrativa. 2023. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem), Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Santa Cruz, RN, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/56053.
8. FERNANDES, R. C. L.; ROZENTHAL, M. Avaliação da sintomatologia depressiva de mulheres no climatério com a escala de rastreamento populacional para depressão CES-D. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 30, n. 3, p. 192-200, 2008. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-81082008000400008.
9. GALVÃO, L. L. L. F. et al. Prevalência de transtornos mentais comuns e avaliação da qualidade de vida no climatério. Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 53, n. 5, p. 414-420, set./out. 2007. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-42302007000500017.
10. SOUSA, A. W. S.; LIMA, H. F.; LIMA, L. R. Estudo reflexivo sobre a saúde mental da mulher na menopausa, 2022. Disponível em: https://publicacoes.unicatolicaquixada.edu.br/index.php/semanadeenfermagem/article/view/578/492.
11. STEINER, M. Saúde mental da mulher: o que não sabemos? Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 27, Supl. II, p. S41-S42, 2005. DOI: https://doi.org/10.1590/S1516-44462005000600002.
12. SCHMITT, A. P.; CLEMENS, B. J.; PEIXOTO, M. C. O. Saúde mental na menopausa: revisão narrativa. In: SIPSICO-2025, I, 2025. Disponível em: https://revistaremecs.com.br/index.php/remecs/article/view/2016.
13. MATA, L. G. Ma. P. et al. Climatério e menopausa como processo biopsicossocial: mudanças fisiológicas, psicológicas e impactos na qualidade de vida feminina. Journal Archives of Health, v. 6, n. 4, 2025. DOI: https://doi.org/10.46919/archv6n4espec-16049.




