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Climatério: quando começa e quais os sintomas?

Publicado em: 30/01/2026

O climatério e a menopausa são fases naturais e inevitáveis da vida da mulher, representando a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo. Embora muitas vezes tragam desconfortos, é fundamental compreender que este é um processo biológico normal e não uma doença (1; 2).

 

Com o aumento da expectativa de vida, estima-se que a população feminina passará aproximadamente um terço de suas vidas na pós-menopausa, o que reforça a importância de informação de qualidade para garantir o bem-estar durante todo esse período (1; 2; 3). Veja a seguir os principais sintomas e orientações para vivenciar esta fase com a melhor qualidade de vida possível. Boa leitura!

 

O que é o climatério? 

O climatério é definido como um processo biológico que abrange a passagem da fase reprodutiva da mulher para a fase não reprodutiva. Ele é marcado por flutuações e uma redução gradual na produção de hormônios pelos ovários, especialmente o estrogênio e a progesterona (2).

 

Esses hormônios possuem receptores em quase todos os tecidos do corpo feminino, o que explica por que a sua diminuição pode afetar diversos sistemas, desde o controle da temperatura corporal até a saúde dos ossos e do coração. O conjunto de sinais e sintomas resultantes dessas alterações hormonais, psicológicas e sociais é frequentemente chamado de síndrome do climatério (3).

 

Quando começa o climatério 

Geralmente, o climatério tem início por volta dos 40 anos de idade e pode se estender até os 65 anos. É um período longo que engloba diferentes estágios, começando com variações na duração do ciclo menstrual e terminando após o último episódio de sangramento. No Brasil e na América Latina, a idade média em que ocorre a menopausa (o evento central do climatério) é de aproximadamente 48 anos, embora essa faixa possa variar conforme fatores genéticos, estilo de vida e condições socioeconômicas (1; 2; 3).

 

Entenda os sintomas do climatério 

A intensidade e o tipo de sintomas variam significativamente de mulher para mulher, mas os relatos mais comuns incluem:

 

  • Sintomas vasomotores: ondas de calor (fogachos) e suores noturnos intensos, que podem durar em média de 7 a 9 anos (2; 3).
     
  • Alterações psicológicas: irritabilidade, ansiedade, depressão, alterações de humor e choro imotivado (1; 5).
     
  • Problemas de sono: insônia ou sono de má qualidade, muitas vezes agravados pelos suores noturnos (1; 2; 3). 
     
  • Sintomas urogenitais: ressecamento vaginal, dor na relação sexual (dispareunia), atrofia vaginal e aumento da frequência urinária (1; 2). 
     
  • Cognição: dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação de "confusão mental" (1; 2; 4). 
     
  • Sintomas físicos diversos: palpitações, dores articulares e musculares, cefaleia (dor de cabeça), fadiga e cansaço constante (1; 2). 
     
  • Mudanças metabólicas: ganho de peso e alteração na distribuição da gordura corporal, que tende a se acumular mais na região abdominal (1; 2; 3)

 

Como aliviar os sintomas do climatério

Existem diversas abordagens para melhorar a qualidade de vida nesse período, que devem ser individualizadas sob orientação médica:

 

  1. Terapia de reposição hormonal (TRH/THM) 

    É considerado o tratamento mais eficaz para o alívio dos fogachos e da atrofia vaginal. Deve ser iniciada preferencialmente nos primeiros 10 anos após a menopausa ou antes dos 60 anos (3; 5). 

     

  2. Terapias não hormonais 

    Para mulheres com contraindicações à TRH, medicamentos off label, como alguns antidepressivos e a gabapentina, além do novo fezolinetante, podem auxiliar no controle das ondas de calor (3).

     

  3. Mudanças no estilo de vida 

    A prática regular de exercícios físicos aeróbicos e de força ajuda a reduzir a severidade dos fogachos, melhora o humor, a fadiga e preserva a massa muscular (1; 5). 
     

  4. Alimentação e controle de peso 

    Manter o peso adequado e uma dieta equilibrada é essencial para mitigar riscos cardiovasculares e melhorar o bem-estar geral (1; 4; 5). 
     

  5. Técnicas de relaxamento 

    Exercícios de respiração, ioga e relaxamento podem diminuir a frequência e a intensidade dos sintomas (4; 5).

Climatério e menopausa: quais as relações e diferenças? 

Embora os termos sejam usados como sinônimos, há uma distinção técnica importante entre eles. A menopausa é um evento único e pontual: é a data do último episódio de sangramento menstrual da mulher, confirmada retrospectivamente após 12 meses consecutivos de ausência de menstruação. Já o climatério é o período de transição como um todo. Ele envolve a fase que antecede a menopausa (quando os ciclos começam a ficar irregulares), a menopausa em si, e os anos que se seguem a ela. Portanto, a menopausa ocorre dentro do climatério, funcionando como um marco divisor entre a fase fértil e a pós-menopausa (1; 3).

 

Vivendo o climatério com qualidade e informação! 

O climatério não deve ser encarado como um fim, mas como um novo ciclo vital que demanda cuidados específicos e adaptações. Uma mulher bem informada e com acompanhamento profissional adequado consegue lidar com as transformações biológicas e psicossociais de forma muito mais leve e assertiva. A busca por suporte médico, a adoção de hábitos saudáveis e o diálogo aberto sobre os sintomas são as chaves para atravessar essa fase com plenitude e saúde.

 

Sugerimos que continue acompanhando os conteúdos e dicas do blog Sua Saúde Myralis para se manter bem informado e com a sua saúde e bem-estar em dia!

 

Fontes

1 - SILVA, A. A. F.; CUNHA, S. R. F. F.; MENEZES, M. E. S. Prevalência e severidade de sintomas em mulheres no climatério/menopausa: uma revisão. Educação Ciência e Saúde, v. 11, n. 2, 2024. DOI: 10.20438/ecs.v11i2.613.

2 - AGUIAR, K. S. et al. Climatério e menopausa, impactos na saúde da mulher: uma análise sob a ótica da assistência de enfermagem. Revista UniLS Acadêmica, v. 3, n. 1, 2024. Disponível em: https://revista.unils.edu.br/index.php/files/article/view/55.

3 - OLIVEIRA, G. M. M. et al. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 121, n. 4, 2024. DOI: 10.36660/abc.20240332.

4 - ALI, A. M.; AHMED, A. H.; SMAIL, L. Psychological Climacteric Symptoms and Attitudes toward Menopause among Emirati Women. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 17, n. 14, 5028, 2020. DOI: 10.3390/ijerph17145028.

5 - ORTMANN, O.; LATTRICH, C. The treatment of climacteric symptoms. Deutsches Ärzteblatt International, v. 109, n. 17, p. 316–324, 2012. DOI: 10.3238/arztebl.2012.0316.

Autor: Myralis
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