
A Vitamina B12, também conhecida como cobalamina, é um nutriente essencial que o organismo humano não sintetiza, ou seja, não produz por conta própria, devendo então ser obtido através da alimentação. Sua importância é vital para a saúde humana e primordial para o metabolismo (1; 2; 3).
Por sua vez, a deficiência de cobalamina (Vitamina B12) no corpo pode levar a uma série de problemas de saúde, incluindo alterações hematológicas, principalmente anemia megaloblástica, e também a piora da função neurológica. A ocorrência e o impacto da deficiência de B12 variam ao longo do ciclo de vida. Indivíduos mais vulneráveis incluem idosos, mulheres grávidas ou lactantes, além de pessoas que possuem dietas vegetarianas e veganas (1; 3; 5). Veja a seguir mais informações sobre os sintomas da deficiência da Vitamina B12!
O que causa a deficiência de Vitamina B12?
A deficiência de Vitamina B12 ocorre devido a diferentes fatores, sendo as causas mais comuns, a ingestão dietética inadequada (baixo consumo de alimentos que fornecem cobalamina) e a má absorção (1; 2; 5). A prevalência da deficiência difere entre as populações em risco. Algumas vezes, estes riscos podem se sobrepor e um mesmo indivíduo ter mais de um fator de risco, facilitando assim o surgimento da deficiência (1).
Dieta vegetariana e vegana
A Vitamina B12 é encontrada em quantidades consideráveis e, quase que exclusivamente, em alimentos de origem animal, como carne, peixe, ovos e laticínios (1; 2; 5; 6). Consequentemente, alimentos de origem vegetal possuem quantidades pequenas ou são desprovidos de B12 (2).
Por este motivo, indivíduos que seguem dietas vegetarianas e, principalmente, estritamente veganas, que excluem todos os alimentos de origem animal, são um grupo suscetível e de alto risco para a deficiência de B12 (2; 6; 7).
Contrariamente à crença tradicional de que apenas veganos estão em risco, evidências recentes mostram que até mesmo lacto-ovo vegetarianos (pessoas que consomem ovos e laticínios) estão em maior risco do que onívoros (pessoas que consomem carne). Isso ocorre porque a carne contém substancialmente mais B12 do que ovos e leite (6).
Problemas de absorção
A má absorção da cobalamina é uma das causas mais prevalentes de deficiência. O processo de absorção é altamente complexo e depende da função intacta do estômago, pâncreas e intestino delgado (6).
A má absorção da B12 acontece quando há redução da acidez do estômago ou prejuízo na produção do fator intrínseco, uma substância importante para que a absorção da B12 ocorra corretamente no intestino. A anemia perniciosa, doença autoimune que impede a produção do Fator Intrínseco corresponde a 15% a 20% dos casos de má absorção em idosos. Alguns medicamentos, como inibidores da bomba de prótons, antagonistas H2 e metformina, também prejudicam a absorção. Problemas no intestino, como ressecção do íleo (parte final do intestino delgado) ou Doença de Crohn, comprometem o local final do intestino delgado onde a vitamina é absorvida. Por fim, fatores como o supercrescimento bacteriano podem competir com ou inativar a vitamina, contribuindo para a deficiência (1; 6; 8).
Idade avançada
Os idosos (acima de 65 anos) são uma das populações mais vulneráveis e de maior risco para a deficiência de Vitamina B12 e a deficiência é frequente nesta faixa etária, afetando mais de 10% a 15% dos pacientes idosos (4).
Sinais de alerta: 4 tipos de sintomas que você não pode ignorar
A deficiência de Vitamina B12 pode se manifestar de forma clínica (com sintomas observáveis) ou subclínica (sem sintomas). A deficiência subclínica, caracterizada por pacientes sem sintomas com baixo nível no sangue de B12, representa o maior número de casos, frequentemente associados à má absorção da B12 ligada aos alimentos (5).
Para os pacientes que apresentam sintomas, os mais comuns são variados. A deficiência pode ser silenciosa por longos períodos, mas é essencial reconhecer os sinais de alerta, pois as manifestações neurológicas podem se tornar irreversíveis se a deficiência se manter de forma prolongada (1; 2; 5).
Sintomas neurológicos e psiquiátricos
O maior impacto da deficiência de B12 é na função neurológica e pode ser a única manifestação clínica. As manifestações neurológicas são potencialmente sérias e podem progredir gradualmente. Os sintomas incluem (1; 5; 7; 9):
● Formigamento e dormência principalmente nas mãos e pés;
● Fraqueza, dificuldades de equilíbrio e rigidez nas pernas;
● Perda de memória, desorientação e confusão;
● Depressão e instabilidade de humor
Sintomas hematológicos
A deficiência de B12 interfere na síntese de DNA, tendo um impacto significativo na produção de novas células sanguíneas. Por este motivo, sintomas do sangue são uma possibilidade. A principal consequência observável é a anemia megaloblástica (ou anemia por deficiência de cobalamina), caracterizada pela produção de células vermelhas maiores que o comum. Os sintomas comuns associados à anemia incluem palidez, palpitações, falta de ar (dispneia) e astenia/fraqueza (1; 7; 9).
Sintomas digestivos
As manifestações gastrointestinais da deficiência de cobalamina podem incluir dor na língua (glossite de Hunter), fazendo com que a língua pareça lisa e brilhante, devido à atrofia das papilas gustativas (locais em que se sentem os gostos na lingua) e alterações da mucosa do trato digestivo (5; 9).
Fadiga crônica
A fadiga, juntamente com a fraqueza generalizada, é uma das manifestações mais suaves e comuns da deficiência de B12. Muitas vezes, os sinais e sintomas iniciais são inespecíficos e sutis, tornando a deficiência facilmente confundível com outras doenças ou simplesmente atribuída ao estresse ou ao envelhecimento (5; 9).
Diagnóstico e plano de ação
O diagnóstico precoce e correto da deficiência de Vitamina B12 é de grande importância para prevenir alterações neurológicas que podem ser irreversíveis. Contudo, o diagnóstico laboratorial, especialmente nos casos subclínicos, ainda é um desafio e não é simples (5; 9).
Exames laboratoriais mais utilizados
É recomendado que os exames laboratoriais (preferencialmente dosagem de Vitamina B12 e de homocisteína, e se possível, ácido metilmalônico e holotranscobalamina, e Holo-TC), sejam realizados na presença da suspeita da deficiência de B12 seja por sintomas ou por alterações em exames realizados previamente pelo paciente. Os pacientes que estão em um dos grupos de risco para deficiência de B12 devem seguir a recomendação da sociedade médica no qual se enquadra seu risco (Por exemplo: usuários de metformina - sociedade brasileira de diabetes e etc) para indicação do rastreio e tempo de realização entre os exames de B12.
Abordagem terapêutica
O tratamento clássico da deficiência de B12, especialmente em casos de má absorção (não dietética), é a administração parenteral (injeção intramuscular) da vitamina (1; 8). Além disso, estudos demonstram que a suplementação sublingual e oral de B12 em altas doses é tão eficaz quanto a administração intramuscular para corrigir os marcadores bioquímicos de deficiência.
A suplementação oral ou sublingual em altas doses pode corrigir a deficiência por mecanismos de absorção passiva. O mecanismo de absorção da via oral é o mesmo da vitamina B12 vinda da alimentação ou em casos que não exista o fator intrínseco, ela é absorvida em menor quantidade por um mecanismo chamado difusão passiva (passagem entre as células do intestino, e não através das células como ocorre quando há fator intrínseco) (1; 2; 6; 8; 9).
Vitamina B12: cuide dos seus nervos e da sua energia
A carência de B12 pode levar a prejuízos potencialmente sérios em longo prazo, manifestando-se como anemia megaloblástica e, de forma mais perigosa, como danos neurológicos, que podem se tornar irreversíveis (1; 5).
O diagnóstico precoce pode permitir a correção dos níveis de cobalamina. O tratamento, seja por injeções intramusculares ou pela administração sublingual e oral igualmente eficazes, pode evitar a progressão da deficiência e futuros danos ao organismo. Portanto, a importância desta vitamina para a saúde dos indivíduos não deve ser negligenciada (5).
Fontes
1 - STOVER, P. J. Current considerations to initiate public health interventions to prevent vitamin B12 associated pathologies in vulnerable subpopulations. Curr Opin Clin Nutr Metab Care, v. 13, n. 1, p. 24–27, Jan. 2010. DOI: 10.1097/MCO.0b013e328333d157.
2 - RIZZO, G. et al. Vitamin B12 among Vegetarians: Status, Assessment and Supplementation. Nutrients, v. 8, n. 12, 767, 2016. DOI: 10.3390/nu8120767.
3 - BÄREBRING, L. et al. Intake of vitamin B12 in relation to vitamin B12 status in groups susceptible to deficiency: a systematic review. European Journal of Nutrition, v. 62, p. 1551–1559, 2023. DOI: 10.29219/fnr.v67.8626.
4 - BAIK, H. W.; RUSSELL, R. M. Vitamin B12 deficiency in the elderly. Annu Rev Nutr. 1999;19:357-77. doi: 10.1146/annurev.nutr.19.1.357. PMID: 10448529
5 - PANIZ, C. et al. Fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 e seu diagnóstico laboratorial. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 41, n. 5, p. 323–334, out. 2005. DOI: 10.1590/S1676-24442005000500007.
6 - ALLEN, L. H. Causes of vitamin B12 and folate deficiency. Food Nutr Bull, 2008. DOI 10.1177/15648265080292S105
7 - NIKLEWICZ, A. et al. The importance of vitamin B12 for individuals choosing plant‑based diets. European Journal of Nutrition, v. 62, p. 1551–1559, 2023. DOI: 10.1007/s00394-022-03025-4.
8 - ANDRÈS, E. et al. Vitamin B12 (cobalamin) deficiency in elderly patients. CMAJ, v. 171, n. 3, p. 251–259, 2004. DOI: 10.1503/cmaj.1031155.
9 - MARTINS, J. T.; CARVALHO-SILVA, M.; STRECK, E. L. Efeitos da deficiência de vitamina B12 no cérebro. Revista Inova Saúde, Criciúma, v. 6, n. 1, p. 192-206, jul. 2017. DOI: 10.18616/is.v6i1.3058.




