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Constipação intestinal: causas comuns e o que fazer para melhorar

Publicado em: 26/06/2026

A constipação intestinal, conhecida popularmente como "intestino preso" ou "prisão de ventre", é um distúrbio gastrointestinal muito comum que pode afetar pessoas de todas as idades, desde crianças até idosos. O funcionamento do sistema digestivo é influenciado diretamente por uma combinação de fatores, sendo que alterações na qualidade da alimentação, no nível de hidratação e nos hábitos de vida diários desempenham um papel fundamental na regularidade das evacuações (1; 2; 3). Veja a seguir algumas causas comuns e orientações para se sentir melhor.

O que é a constipação intestinal?

A constipação não é vista como uma doença isolada, mas como um sintoma ou um conjunto deles. Ela é caracterizada pela diminuição na frequência das evacuações (geralmente menos de três vezes por semana) e pela dificuldade persistente em expelir as fezes (4; 5).

Quais são as principais causas da constipação intestinal?

Diferentes fatores relacionados ao estilo de vida moderno e às condições gerais de saúde podem contribuir para o surgimento do intestino preso. Na maioria dos casos, a causa é funcional, ou seja, ligada ao comportamento e hábitos, mas também pode ser secundária a outras condições médicas (1; 2; 3). Confira abaixo algumas das principais causas da constipação intestinal:

Baixo consumo de fibras

As fibras alimentares são partes de alimentos vegetais que o nosso corpo não consegue digerir totalmente. Elas desempenham um papel crucial ao aumentar o volume do bolo fecal e estimular os movimentos naturais do intestino, chamados de peristaltismo. Quando ingerimos poucas fibras, as fezes tendem a se mover mais lentamente, tornando o trânsito intestinal difícil (1; 2; 3; 6).

Ingestão insuficiente de água

A hidratação adequada é essencial para que as fibras citadas acima possam cumprir sua função. Isso porque a água é absorvida no intestino grosso e ajuda a manter o fluxo intestinal. Sem ela, o organismo retira líquidos do bolo fecal, resultando em fezes ressecadas e endurecidas (2; 3; 7; 8).

Sedentarismo

Existe uma relação direta entre a atividade física e a motilidade intestinal (a capacidade do intestino de se movimentar). O movimento corporal ajuda a estimular as contrações musculares do cólon, enquanto a falta de exercícios pode prolongar o tempo que as fezes levam para percorrer o sistema digestivo (1; 4).

Alterações na rotina ou hábitos intestinais

Mudanças repentinas, como viagens, períodos de estresse ou a falta de privacidade, também podem impactar o funcionamento intestinal. Além disso, ignorar o reflexo natural de evacuação (a vontade de ir ao banheiro) faz com que as fezes permaneçam mais tempo no reto, perdendo água e tornando-se mais ressecadas com o tempo (1; 3; 9).

Uso de alguns medicamentos

Alguns remédios podem ter a constipação como efeito colateral, variando de acordo com o organismo de cada pessoa. Exemplos comuns incluem certos antidepressivos, analgésicos fortes (opioides) e anti-hipertensivos (1; 3).

Quais são os sintomas mais comuns da constipação?

Os sintomas podem variar entre os indivíduos, mas geralmente formam um quadro de desconforto persistente com os seguintes sinais: 

● Dificuldade para evacuar: é a necessidade de realizar um esforço intenso e prolongado nas tentativas de ir ao banheiro (5; 10); 
● Fezes ressecadas ou endurecidas: quando as fezes frequentemente ficam endurecidas. Na medicina, utiliza-se a Escala de Bristol para classificar essa consistência, sendo os tipos 1 e 2 os mais associados à constipação (5; 7; 10); 
● Sensação de evacuação incompleta: é a percepção de que, mesmo após terminar, ainda restam fezes no reto ou de que o esvaziamento não foi satisfatório (4; 10); 
● Desconforto abdominal ou inchaço: permanência prolongada das fezes e gases no intestino que pode causar dor abdominal e inchaço do abdômen (1; 4).

O que fazer para melhorar o intestino preso?

Mudanças simples na rotina diária são frequentemente a primeira linha de tratamento e podem ajudar significativamente a regularizar o intestino. Veja a seguir algumas recomendações!

Aumentar o consumo de fibras na alimentação

Incluir alimentos como frutas (preferencialmente com casca e bagaço), verduras, legumes e cereais integrais (aveia, farelo de trigo) favorece o trânsito intestinal . O psyllium, uma fibra natural, também é muito citado por sua eficácia em melhorar a frequência das evacuações (3; 11).

Beber mais água ao longo do dia

É fundamental manter uma ingestão de líquidos aproximada de 2 litros diários para garantir que as fibras funcionem corretamente e as fezes permaneçam hidratadas (3; 6; 8).

Praticar atividades físicas regularmente

Exercícios como caminhadas ou ciclismo, praticados por pelo menos 30 minutos na maioria dos dias, ajudam a estimular o peristaltismo e facilitam a eliminação intestinal (1; 3; 8).

Criar uma rotina para ir ao banheiro

Tentar estabelecer um horário regular e respeitar os sinais do corpo é essencial. Um hábito saudável é aproveitar o reflexo gastrocólico (o estímulo natural de evacuar que ocorre logo após as refeições, especialmente após o café da manhã) (3; 6).

O uso de laxantes é indicado?

Em alguns casos, quando as mudanças de hábito não são suficientes, medicamentos laxativos podem ser utilizados para auxiliar no tratamento. Existem diferentes tipos, como os osmóticos, que retêm água no intestino, e os estimulantes, que forçam a contração muscular. No entanto, seu uso deve ser sempre feito sob orientação de um profissional de saúde, principalmente para avaliar casos da constipação (1; 3; 6).

Quando a constipação pode ser um sinal de alerta?

Embora geralmente esteja ligada a hábitos de vida, a constipação pode, em certos casos, indicar a necessidade de uma avaliação médica mais profunda. Fique atento a sinais de alerta como (5; 10; 12): 

● Presença de sangue nas fezes; 
● Perda de peso não explicada; 
● Dores abdominais muito intensas e persistentes; 
● Mudança súbita no hábito intestinal, especialmente em pessoas com mais de 50 anos.

Hábitos saudáveis podem transformar sua saúde!

A constipação intestinal é uma condição comum, mas que pode impactar bastante a qualidade de vida. A boa notícia é que a adoção de hábitos saudáveis, focados em uma dieta rica em fibras, hidratação generosa e movimento, pode ser transformadora para o funcionamento do seu intestino. Observe sempre os sinais que o seu corpo envia e não hesite em buscar orientação profissional para um diagnóstico e tratamento adequados às suas necessidades.

Para seguir aprendendo mais sobre saúde, prevenção e qualidade de vida, acompanhe os conteúdos publicados no blog Sua Saúde Myralis. Aqui você encontra informações confiáveis, orientações baseadas em evidências científicas e dicas práticas que ajudam a cuidar melhor da sua saúde e da saúde da sua família no dia a dia.

Referências

1 – GENTIL, M. E. N.; OLIVEIRA, L. de L.; SILVA, M. C. da. Terapias utilizadas no tratamento da constipação intestinal primaria. Research, Society and Development, v. 12, n. 13, p. e43121344220, 2023. DOI:10.33448/rsd-v12i13.44220.

2 – SOARES, A. K. A. et al. Hábitos alimentares e uso de laxantes em pacientes com constipação intestinal funcional. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, Fortaleza, v. 22, n. 1, p. 50-52, 2009. Acesso em: https://revistas.cff.org.br/infarma/article/view/111.

3 – MARQUES, S. J. G. N. S. Manejo da constipação intestinal: uma revisão de escopo. Congresso Brasileiro De Estomaterapia. 2023. Acesso em: https://anais.sobest.com.br/cbe/article/view/759.

4 – CUI, J. et al. Physical activity and constipation: A systematic review of cohort studies. Journal of Global Health, v. 14, p. 04197, 2024. DOI: 10.7189/jogh.14.04197.

5 – DINIZ, E. M. S. R. R. Constipação intestinal: uma revisão. 2008. Acesso em: https://repositorio.ufmg.br/bitstreams/afc3159c-273b-4794-b24b-6450a29da59b/download.

6 – LACERDA, F. V.; PACHECO, M. T. T. A ação das fibras alimentares na prevenção da constipação intestinal. In: X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VI Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos, p. 2466-2469, 2006. Acesso em: https://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2006/epg/03/EPG00000435-ok.pdf.

7 – MARKLAND, A. D. et al. Association of Low Dietary Intake of Fiber and Liquids with Constipation: Evidence from the National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES). The American Journal of Gastroenterology, v. 108, n. 5, p. 796-803, 2013. DOI: 10.1038/ajg.2013.73.

8 – RIBICHINI, E. et al. Dietary strategies for chronic constipation: smartly targeting hormonal and reflex pathways for optimal recovery. Frontiers in Pharmacology, v. 17, p. 1738562, 2026. DOI: 10.3389/fphar.2026.1738562.

9 – SANTOS JÚNIOR, J. C. M. Constipação Intestinal. Revista Brasileira de Coloproctologia, v. 25, n. 1, p. 79-93, 2005. ID: lil-413324. Acesso em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-413324.

10 – COLLETE, V. L.; ARAÚJO, C. L.; MADRUGA, S. W. Prevalência e fatores associados à constipação intestinal: um estudo de base populacional em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 2007. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 26, n. 7, p. 1391-1402, 2010. DOI: 10.1590/S0102-311X2010000700018.

11 – PINHEIRO, A. K. et al. Constipação intestinal: tratamento com fitoterápicos. Revista Científica FAEMA, Ariquemes, v. 9, n. ed. esp., p. 559-564, 2018. DOI: 10.31072/rcf.v9iedesp.598.

12 – DIAZ, S. et al. Constipation. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2023. Acesso em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK513291/.

 

Autor: Myralis
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