
A depressão é uma alteração afetiva e comportamental reconhecida como um problema prioritário de saúde pública. É uma condição comum, de curso crônico e recorrente, e está associada a altos níveis de incapacitação funcional (1; 2; 3).
Estima-se que afete mais de 3,8% da população mundial, sendo que no Brasil, a prevalência da depressão é de aproximadamente 5,8% a 5,9%, afetando mais de 11 milhões de indivíduos (4; 5). A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que a depressão será a primeira causa específica de incapacidade funcional no mundo até 2030 (6). Entenda a seguir mais sobre suas causas, sintomas e tratamento.
O que é depressão
O termo "depressão" na linguagem corrente pode ser empregado para designar tanto um estado afetivo normal (a tristeza) quanto um sintoma, uma síndrome, ou uma doença. Na prática, a depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, um transtorno mental que se manifesta como uma síndrome bem definida. Ela é classificada como um transtorno de humor grave e frequente. Suas características principais são um estado de ânimo irritável, falta de motivação, e diminuição do comportamento instrumental adaptativo (1; 2; 6; 7).
É importante distinguir a depressão patológica da tristeza transitória provocada por acontecimentos desagradáveis inerentes à vida, como a morte de alguém, uma decepção amorosa ou dificuldades econômicas. Pessoas sem a doença sofrem e se entristecem diante de adversidades, mas encontram uma forma de superá-las. Nos quadros de depressão efetivamente, a tristeza e o desânimo não dão trégua, mesmo que não haja uma causa aparente, e o interesse pelas atividades que proporcionam prazer e bem-estar desaparece (1).
Portanto, a depressão é considerada um transtorno de saúde mental quando o estado de desânimo ou perda de interesse pela vida se manifesta com uma certa duração e intensidade, sendo marcada por diversas alterações físicas e comportamentais (1)
Causas da depressão
A depressão é um problema complexo e uma psicopatologia com múltiplas causas. Sua causa é multifatorial e reside na interação de fatores orgânicos, psicológicos, ambientais e sociais (1; 2; 4; 5).
Fatores biológicos e genéticos
Existem fatores genéticos e hereditários envolvidos nos casos de depressão. O que parece ser herdado é uma tendência para um funcionamento bioquímico anormal em algumas regiões cerebrais. A depressão pode ser provocada por uma disfunção bioquímica do cérebro e ser acompanhada por alterações de substâncias no Sistema Nervoso Central. As mulheres são consideradas o grupo mais vulnerável em virtude da oscilação hormonal, principalmente no período fértil (1; 7; 8).
Fatores psicológicos e emocionais
Os fatores psicológicos estão envolvidos na gênese e evolução da depressão, presentes em graus variáveis em cada indivíduo. A depressão afeta a vida do paciente na extensão do humor e cognição, fazendo com que passem a enxergar suas problemáticas como grandes catástrofes. A personalidade depressiva implica o esvaziamento da energia, a perspectiva de uma vida adoecida, e a sensação de fracasso é constante. Nela, a sensação de vazio e desamparo é sentida na maior parte do tempo (2; 5; 7).
Fatores sociais e ambientais
Fatores sociais e ambientais também estão entre as causas do transtorno. Nem todas as pessoas com predisposição genética reagem do mesmo modo diante de fatores que funcionam como gatilho para as crises (1; 2; 7). Esses fatores incluem (1; 2; 3; 6):
- Acontecimentos traumáticos na infância
- Estresse físico e psicológico
- Dificuldades sociais crônicas e eventos de vida persistentes
- Algumas doenças sistêmicas (ex: hipotireoidismo)
- Consumo de drogas lícitas e ilícitas
- Certos tipos de medicamentos (ex: as anfetaminas)
Sintomas da depressão
A depressão se caracteriza por quatro conjuntos de sintomas comuns: emocionais, cognitivos, motivacionais e físicos. O paciente deve apresentar esses sintomas para ser diagnosticado como depressivo, e quanto mais intensos eles forem, maior a certeza do diagnóstico (1).
Os sintomas emocionais mais comuns são tristeza, abatimento e desânimo. O indivíduo sente-se desesperançado, triste, e frequentemente tem crises de choro. Outros sintomas emocionais, cognitivos e motivacionais incluem (1; 2; 6):
- Humor irritável
- Perda de interesse e afeto pelas pessoas
- Visão negativa de si mesmo
- Sensação de culpa pelos fracassos
- Pensamentos negativos
- Dificuldade para pensar ou se concentrar
- Indecisão, passividade, falta de iniciativa e de persistência
Já os sintomas físicos que se manifestam nos quadros depressivos incluem (1; 6):
- Mudança de apetite (perda ou aumento)
- Perturbações/distúrbios do sono (insônia ou hipersonia)
- Fadiga e perda de energia/vitalidade
- Alteração da atividade motora (lentificação psicomotora ou agitação)
- Aumento de dores e mal-estar nas atividades
Impactos no dia a dia
O quadro depressivo afeta todas as áreas da vida do paciente, incluindo a vida afetiva, familiar, profissional e social. Eles levam a uma significativa diminuição da produtividade e, muitas vezes, à necessidade de afastamento do trabalho (1; 7; 9).
Diagnóstico da depressão
O diagnóstico da depressão é feito a partir da presença de determinados sintomas que se manifestam numa certa duração e intensidade, e também toma como base a história de vida do paciente. A avaliação deve levar em consideração fatores biológicos, psicológicos ou mesmo sociais, além da gravidade do episódio (1; 2).
Para o diagnóstico, os profissionais de saúde devem fazer a coleta da história clínica, anamnese, e o exame, observando os critérios da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (6). Os modernos sistemas classificatórios, como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), operacionalizam o diagnóstico de depressão, facilitando seu reconhecimento e a comunicação científica entre profissionais (2; 3).
É válido destacar que também é importante estabelecer o diagnóstico diferencial, evitando confundir a depressão com reações transitórias desagradáveis ou com o transtorno afetivo bipolar. Afinal, o estado depressivo pode ser um sintoma secundário a várias outras doenças (1; 3; 6).
Quando procurar ajuda médica?
A busca por tratamento se justifica quando o indivíduo não consegue sair de um quadro de tristeza intensa e prolongada, necessitando de diagnóstico e tratamento adequado (2).
A depressão é considerada uma doença grave que, se não diagnosticada e tratada corretamente, pode gerar sérias doenças clínicas e até mesmo a morte por suicídio. Portanto, o diagnóstico precoce é o melhor caminho para reduzir a gravidade da depressão. Isso porque a morbi-mortalidade associada à depressão pode ser prevenida em cerca de 70% dos casos com o tratamento correto. Nos pacientes em que o transtorno não é diagnosticado ou é subtratado, observa-se uma pior evolução (1; 3; 6; 10).
Depressão tem tratamento e apoio é fundamental
A depressão é uma doença que tem tratamento que é realizado com psicofármacos, podendo ser associado à psicoterapia e atividades físicas. O tratamento medicamentoso constitui o fundamento da intervenção terapêutica para reduzir a duração e a intensidade dos sintomas (1; 7).
Entende-se que a intervenção mais eficaz deve contra à doença deve combinar tratamentos farmacológicos com suporte psicossocial e educação adequada, visando melhorar a adesão ao tratamento e a qualidade de vida dos afetados (5).
É importante destacar também que a família dos portadores de depressão necessita manter-se informada sobre a doença, suas características, sintomas e riscos. Afinal, a família é considerada um ponto de referência para certos padrões, como a importância da alimentação equilibrada, da higiene pessoal e da necessidade de interagir com outras pessoas (1; 5).
A meta é sempre a remissão completa dos sintomas e a recuperação do funcionamento global, sendo o apoio adequado fundamental para a adesão e a melhoria dos resultados a longo prazo (5; 9).
Referências
1 - RUFINO, S. et al. Aspectos gerais, sintomas e diagnóstico da depressão. Revista Saúde em Foco, n. 10, p. 837-843, 2018. Disponível em: https://portal.unisepe.com.br/unifia/wp-content/uploads/sites/10001/2018/11/095_A SPECTOS-GERAIS-SINTOMAS-E-DIAGN%C3%93STICO-DA-DEPRESS%C3%83O.pdf.
2 - SOUZA, E. S. O. Depressão: O cuidado psicológico neste contexto. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia), Universidade Anhanguera de São Paulo, São Paulo, 2022. Disponível em: https://repositorio.pgsscogna.com.br/handle/123456789/45379.
3 - FLECK, M. P. et al. Revisão das diretrizes da Associação Médica Brasileira para o tratamento da depressão (Versão integral). Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 31, Supl. 1, p. S7-S17, 2009. DOI: https://doi.org/10.1590/S1516-44462009000500003.
4 - SCHWAMBACH, L. B.; QUEIROZ, L. C. Uso de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde no tratamento da depressão. Saúde em Debate, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-7331202333077.
5 - CARVALHO, P. R. et al. Depressão: Desafios e Tratamento. v. 6, n. 8, 2024. DOI: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p3331-3342.
6 - FIGUEIREDO, S. C. et al. Diagnóstico e tratamento da depressão: uma revisão de literatura. v. 6, n. 6, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n6p1849-1859.
7 - NARDI, A. E. Depressão no Ciclo da Vida. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 22, n. 3, p. 151-152, 2000. (Revisão do livro de Lafer et al.). DOI: https://doi.org/10.1590/S1516-44462000000300013.
8 - TENG, C. T.; HUMES, E. de C.; DEMETRIO, F. N. Depressão e comorbidades clínicas. Revista de Psiquiatria Clínica, junho, 2005. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-60832005000300007.
9 - LIMA, A. F. B. da S.; FLECK, M. P. de A. Qualidade de vida e depressão: uma revisão da literatura. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 2009. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-81082009000400002.
10 - VALENTINI, W. et al. Treinamento de clínicos para o diagnóstico e tratamento da depressão. Revista de Saúde Pública, Campinas, 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000400007.




