
O cansaço e a sensação de esgotamento físico tornaram-se queixas cada vez mais frequentes na rotina atual, afetando milhões de pessoas. Embora muitas vezes seja atribuído ao estresse ou à falta de descanso, o cansaço persistente pode representar o primeiro sinal de alterações importantes na saúde (1; 2).
Isso porque embora o cansaço tenha raízes multifatoriais, que vão desde hábitos de sono até condições psicológicas, as deficiências nutricionais desempenham um papel central na manutenção da nossa vitalidade. Entre esses nutrientes, a vitamina B12, por exemplo, destaca-se como um nutriente essencial para a produção de energia e a saúde do sistema nervoso (1; 2; 3).
Investigar os níveis desta vitamina é um passo essencial quando a fadiga se torna persistente, pois sua carência pode desencadear complicações que afetam desde a clareza mental até a saúde do sangue. Veja no conteúdo abaixo mais detalhes sobre essa condição e quando investigar mais a fundo o cansaço que parece rotineiro. Boa leitura!
O que pode causar cansaço excessivo no dia a dia?
O cansaço que sentimos diariamente é frequentemente o resultado de uma combinação de fatores biológicos e comportamentais. O sono inadequado, tanto em quantidade quanto em qualidade, é uma das causas primárias, impedindo que o corpo e o cérebro realizem seus processos de restauração necessários. Além disso, o estresse crônico e a sobrecarga de atividades geram um estado de alerta constante que consome as reservas de energia do organismo (1).
A alimentação desequilibrada também contribui significativamente para esse quadro, afinal, dietas pobres em micronutrientes essenciais privam as células do combustível necessário para o metabolismo. O sedentarismo, por sua vez, aumenta a sensação de fadiga, pois reduz a eficiência cardiovascular e a oxigenação dos tecidos. Quando esses fatores de estilo de vida são corrigidos e o cansaço persiste, a medicina volta sua atenção para causas metabólicas e nutricionais, onde a deficiência de vitamina B12 surge como um dos principais suspeitos (1; 2; 4).
O que é a vitamina B12 e qual é sua função no organismo?
A vitamina B12 é uma molécula complexa e essencial, pertencente ao complexo B, que desempenha funções vitais em diversos sistemas que o corpo humano, mas que ele não consegue produzir por conta própria. Ela é obtida exclusivamente por meio de alimentos de origem animal como carnes, ovos e laticínios, ou via suplementação (2; 3; 4; 5).
No sangue, ela é indispensável para a formação e maturação das células vermelhas, garantindo que o transporte de oxigênio para todos os órgãos ocorra de forma eficiente. Além da sua função hematológica, a B12 atua participando da produção de energia nas mitocôndrias. No sistema nervoso, sua presença é crucial para a formação da bainha de mielina, uma camada protetora que envolve os nervos e permite a condução rápida de impulsos elétricos. Sem níveis adequados de B12, a integridade dessas conexões neurais é comprometida, o que pode levar a danos neurológicos progressivos (2; 3).
Falta de vitamina B12 pode causar cansaço?
Sim, o cansaço é um dos sintomas mais precoces e característicos da deficiência de vitamina B12. Essa relação ocorre principalmente por dois mecanismos principais: a anemia e a disfunção metabólica. Quando os níveis de B12 estão baixos, o corpo perde a capacidade de produzir glóbulos vermelhos adequados, resultando em uma condição conhecida como anemia megaloblástica. Isso porque glóbulos vermelhos defeituosos não conseguem transportar oxigênio de maneira eficaz, o que priva os tecidos e músculos de seu combustível vital, gerando uma sensação profunda de cansaço e falta de ar (2; 3; 5).
Outro fator importante é a participação da B12 no metabolismo. A falta dessa vitamina causa o acúmulo de substâncias que prejudicam a produção de energia nas células e afetam a função neurológica. Em casos de deficiência subclínica, quando os níveis sanguíneos parecem normais, mas a função celular já está prejudicada, a pessoa pode sentir uma "fadiga idiopática", ou seja, um cansaço constante sem causa aparente imediata (1; 5; 6).
Principais sinais que podem acompanhar a falta de vitamina B12
A deficiência de vitamina B12 raramente se manifesta apenas como cansaço. Ela costuma ser acompanhada por outros sinais que refletem o comprometimento de diferentes sistemas do corpo (3; 4). Identificar esses sinais precocemente é fundamental para evitar danos permanentes. Veja a seguir!
Fraqueza e indisposição frequente
Devido à redução na eficiência da produção de energia celular e ao comprometimento das funções metabólicas, tarefas simples do dia a dia podem parecer exaustivas. Essa fraqueza não costuma melhorar significativamente com o repouso, tornando-se uma indisposição persistente que afeta a produtividade e o bem-estar geral (3).
Palidez, tontura ou falta de ar
A palidez, tontura e falta de ar são sintomas que estão diretamente ligados às alterações hematológicas provocadas pela deficiência de B12. A palidez ocorre devido à anemia, que reduz o brilho e a coloração saudável da pele e mucosas. A tontura e a falta de ar, mesmo em esforços leves, são reflexos da baixa oxigenação sanguínea, obrigando o coração e os pulmões a trabalharem mais para compensar a ineficiência dos glóbulos vermelhos (2; 3; 5; 6).
Formigamento nas mãos e nos pés
A relação entre a B12 e a saúde dos nervos é evidenciada pela sensação de formigamento ou dormência, tecnicamente chamada de parestesia. Esse sintoma surge porque a falta da vitamina pode causar "curtos-circuitos" na comunicação nervosa periférica e, se não tratada, essa neuropatia pode evoluir para dificuldades de equilíbrio e coordenação motora (2; 3).
Dificuldade de memória, atenção ou raciocínio
O impacto cognitivo da falta de B12 é frequentemente descrito como uma "névoa mental". A deficiência pode afetar a síntese de neurotransmissores importantes para a função cerebral. Na prática, pacientes relatam frequentemente lapsos de memória, dificuldade de concentração e lentidão no raciocínio, sintomas que, em idosos, podem ser erroneamente confundidos com quadros iniciais de demência (1; 2; 3).
Alterações de humor ou sensação de confusão
A vitamina B12 possui um papel relevante na saúde psicológica. Sua carência tem sido associada a mudanças de humor, irritabilidade e sintomas depressivos. Em casos mais severos e prolongados, a pessoa pode apresentar quadros de confusão mental, desorientação e até psicose, refletindo o profundo estresse ao qual o sistema nervoso é submetido pela falta do nutriente (2; 3; 5).
Quem tem maior risco de desenvolver falta de vitamina B12?
Alguns grupos apresentam uma vulnerabilidade biológica ou comportamental maior para a deficiência de B12. Os idosos são o grupo de maior risco, principalmente devido à atrofia gástrica relacionada à idade, que reduz a produção de ácido estomacal que é essencial para a absorção da vitamina dos alimentos (1; 2; 3; 5).
Pessoas com restrições alimentares, como vegetarianos estritos e veganos, correm risco elevado se não utilizarem alimentos fortificados ou suplementos, já que a B12 não é encontrada de forma natural em plantas. Indivíduos que passaram por cirurgias gastrointestinais, como a cirurgia bariátrica ou ressecções intestinais, também têm a absorção prejudicada devido à alteração da anatomia digestiva (3; 5).
Além disso, o uso prolongado de certos medicamentos pode interferir na B12: a metformina (usada para diabetes) pode reduzir a absorção no íleo, enquanto os inibidores da bomba de prótons (medicamentos para estômago) diminuem a acidez necessária para liberar a vitamina das proteínas alimentares (4; 5).
Quando investigar a vitamina B12?
A investigação médica deve ser considerada sempre que o cansaço excessivo for persistente e não puder ser explicado por mudanças recentes no estilo de vida. É especialmente importante buscar avaliação se o cansaço vier acompanhado de qualquer sintoma neurológico, como formigamentos ou perda de memória, ou se a pessoa pertencer a algum dos grupos de risco mencionados acima (3).
Muitas vezes, a deficiência de B12 é silenciosa em seus estágios iniciais, manifestando-se apenas através de alterações metabólicas sutis antes que a anemia clássica apareça. Por isso, a observação atenta dos sinais do corpo é o melhor guia para decidir o momento de procurar um profissional de saúde (3; 4; 5).
Como é feita a avaliação da deficiência de vitamina B12?
A avaliação começa com uma história clínica detalhada e um exame físico focado nos sinais presentes no paciente. Laboratorialmente, o teste inicial mais comum é a medição dos níveis de vitamina B12 sérica no sangue. No entanto, esse teste sozinho pode ser inconclusivo em cerca de 30% a 50% dos pacientes, cujos níveis podem aparecer como "normais" apesar de uma deficiência funcional real (3; 4; 5; 7). Para uma análise mais precisa, os médicos podem solicitar outros exames complementares:
- Hemograma completo: para verificar se há aumento no tamanho dos glóbulos vermelhos (macrocitose) (4; 5);
- Ácido Metilmalônico e Homocisteína: níveis elevados desses compostos são indicadores mais sensíveis de que as células estão sofrendo com a falta de B12 (5; 7);
- Holotranscobalamina: conhecida como "B12 ativa", representa a parte da vitamina que está realmente disponível para uso pelas células (5; 7).
Quando procurar orientação profissional
Diante da persistência dos sintomas ou da suspeita baseada em fatores de risco, a orientação de um médico ou nutricionista é indispensável. Uma avaliação profissional garante que o diagnóstico seja correto e que o tratamento, que pode incluir desde mudanças na dieta até injeções intramusculares, seja adequado à gravidade do quadro e à causa da deficiência (3; 4).
Atenção aos sinais e cuidado individualizado
O cansaço excessivo não deve ser aceito como uma parte normal da vida, mas sim como um sinal de que o corpo pode estar precisando de suporte. A vitamina B12 desempenha um papel silencioso, porém vital, na base da nossa saúde física e mental. Reconhecer que a deficiência nutricional pode ser a causa da indisposição é o primeiro passo para recuperar a qualidade de vida. Ao observar sinais de alerta e buscar o suporte médico adequado, é possível não apenas reverter os sintomas, mas também proteger o organismo contra complicações futuras mais severas.
Para seguir se informando sobre saúde, prevenção e qualidade de vida, continue acompanhando os conteúdos do blog Sua Saúde Myralis.
Referências
1. MARKUN, S. et al. Effects of Vitamin B12 Supplementation on Cognitive Function, Depressive Symptoms, and Fatigue: A Systematic Review, Meta-Analysis, and Meta-Regression. Nutrients, v. 13, n. 923, 2021. DOI: 10.3390/nu13030923
2. DE CARVALHO, L. P. et al. Vitamin B12 deficiency and its impact on healthcare: a population-level analysis and call for action. Frontiers in Nutrition, v. 12, 2026. DOI: 10.3389/fnut.2025.1701661
3. WOLFFENBUTTEL, B. H. R. et al. Vitamin B12. BMJ, v. 383, 2023. DOI: 10.1136/bmj-2022-071725
4. SHIPTON, M. J.; THACHIL, J. Vitamin B12 deficiency - A 21st century perspective. Clinical Medicine, v. 15, n. 2, p. 145-150, 2015. DOI: 10.7861/clinmedicine.15-2-145
5. SOBCZYŃSKA-MALEFORA, A. et al. Vitamin B12 status in health and disease: a critical review. Diagnosis of deficiency and insufficiency clinical and laboratory pitfalls. Critical Reviews in Clinical Laboratory Sciences, v. 58, n. 6, p. 399-429, 2021. DOI: 10.1080/10408363.2021.1885339
6. EL HASBAOUI, B. et al. Vitamin B12 deficiency: case report and review of literature. Pan African Medical Journal, v. 38, n. 237, 2021. DOI: 10.11604/pamj.2021.38.237.20967
7. ANKAR, A.; KUMAR, A. Vitamin B12 Deficiency. StatPearls, Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441923/




