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Virose: como prevenir e tratar os sintomas

Publicado em: 26/12/2025

As doenças virais, também conhecidas popularmente como "virose", representam um desafio significativo e contínuo para a saúde pública global, especialmente após eventos como a pandemia de COVID-19, destacando a ameaça que a emergência e reemergência de viroses representam para a saúde humana (1). Este cenário complexo demanda o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas de vigilância epidemiológica e sanitária para identificar, monitorar e controlar os patógenos e, para além disso, é importante para a sociedade, compreender as formas de prevenção e os pilares do tratamento de suporte para manter-se saudável e reagir de forma adequada diante de uma virose (1).

 

O que é virose e por que ela acontece? 

As Doenças Infecciosas Emergentes (DIEs) são aquelas recentemente identificadas na população humana, ou cuja incidência aumentou nas últimas duas décadas, apresentando-se como problema de saúde pública. Já as Doenças Infecciosas Reemergentes são aquelas que ressurgiram, expandiram-se ou tiveram sua incidência aumentada, muitas vezes após estarem sob controle como, por exemplo, raiva, sarampo e febre amarela (1; 2). 

 

Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, ou seja, microrganismos que só conseguem sobreviver, crescer e se multiplicar dentro das células de outro organismo, dependendo assim de uma célula hospedeira para se propagarem e se perpetuar no ambiente. Eles interferem na história humana alterando constantemente o cenário da saúde global (1). O surgimento ou ressurgimento de uma virose é complexo e geralmente multifatorial devido à sua capacidade de apresentar diferentes mecanismos evolutivos e de parasitar espécies hospedeiras alternativas (1; 2).

 

Viroses não são todas iguais 

A enorme diversidade das viroses se deve, em parte, à variedade do material genético viral (DNA ou RNA) e à sua complexa organização estrutural. Os vírus de RNA são os agentes etiológicos mais comuns das doenças virais emergentes, pois replicam seus genomas com menor fidelidade, acumulando um número maior de mutações e favorecendo sua adaptação a novos ambientes e hospedeiros (1; 2). 

 

As viroses podem ser agrupadas, por exemplo, por sua via de transmissão, incluindo aquelas de:

 

  • Transmissão respiratória: como influenza, coronavírus e vírus sincicial respiratório (VSR) (1; 3);
  • Veiculação hídrica: como rotavírus, norovírus, adenovírus, e os vírus das hepatites A e E, frequentemente responsáveis por gastroenterites (1);
  • Transmissão parenteral e/ou sexual: como HIV e os vírus das hepatites B e C (1);
  • Arboviroses: transmitidas por artrópodes, como dengue, zika, febre amarela e chikungunya (1).

Entenda a transmissão dos vírus 

Os vírus dependem da transmissão de um ser vivo para outro para se manterem em circulação (1). Os mecanismos de transmissão variam amplamente (1; 2; 3): 

 

  • Via aérea e por gotículas;
  • Fecal-oral;
  • Zoonótica;
  • Por artrópodes como mosquitos e carrapatos;
  • Parenteral e sexual.

     

Identificando os sintomas mais comuns de virose 

As manifestações clínicas das viroses variam amplamente, desde infecções assintomáticas ou leves, como um resfriado comum, até formas graves, como doenças febris, encefalites ou doenças hemorrágicas (1; 3).

 

Sintomas respiratórios 

As infecções do trato respiratório são um dos principais problemas de saúde pública, afetando principalmente crianças, imunocomprometidos, idosos e portadores de doenças crônicas. Sintomas comuns de viroses respiratórias incluem febre, coriza, dor de garganta, tosse, fadiga, entre outros (1; 3). 

 

Sintomas gastrointestinais 

As viroses gastrointestinais, como as causadas por rotavírus e norovírus, são caracterizadas por dor abdominal, diarréia, náuseas, vômitos, entre outros (1).

 

Tratamento em casa: os 3 pilares da recuperação 

Na maioria das doenças virais, o tratamento é basicamente de suporte. Isso envolve medidas genéricas como o uso de antitérmicos e analgésicos, focando na hidratação e no suporte ao paciente (1). Veja mais detalhes a seguir! 

 

Hidratação é fundamental 

A hidratação e a nutrição são as intervenções com maior impacto no curso da diarreia aguda. No caso das gastroenterites, o tratamento baseia-se na reposição hidroeletrolítica para combater a desidratação causada por vômitos e diarreia (1; 4). 

 

Repouso e imunidade 

O repouso adequado é uma medida de apoio essencial para a recuperação também. Em viroses como o sarampo, por exemplo, a recuperação é fundamental, pois o vírus tem a ação de diminuir a memória imunológica adquirida previamente, aumentando o risco de infecções secundárias, especialmente em crianças imunocomprometidas (1; 3). 

 

Alimentação leve 

A manutenção de uma dieta adequada para a idade é prioritária para a regeneração da mucosa intestinal. O jejum ou a restrição alimentar podem retardar o processo de renovação das células danificadas pelo processo infeccioso (4).

 

Prevenção diária: como evitar a virose 

As estratégias de prevenção são cruciais para promover a saúde da população e controlar as infecções (1). 

 

Higiene pessoal em primeiro lugar 

A higienização das mãos é uma das medidas não farmacológicas mais importantes no controle de infecções virais. É fundamental a higiene frequente das mãos com água e sabão ou desinfetante à base de álcool (1; 5; 6). 

 

Vacinação em dia 

A vacinação é considerada um dos maiores avanços da humanidade do ponto de vista da saúde pública e uma medida crucial de prevenção. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza vacinas para diversas viroses, visando controlar e eliminar doenças infecciosas (1; 7). 

 

Exemplos de viroses com vacinas disponíveis no PNI (Sistema Único de Saúde - SUS) incluem (1): ● Sarampo, Rubéola e Caxumba;

 

  • Sarampo, Rubéola e Caxumba;
  • Poliomielite;
  • Febre Amarela;
  • Rotavirose;
  • Influenza (Gripe);
  • Hepatite B;
  • HPV.

Cuidado com alimentos e água 

Para viroses de transmissão hídrica, medidas de higiene e sanitárias adequadas são essenciais para o controle e prevenção da infecção. O acesso à água potável e à coleta e tratamento de esgoto são fundamentais. Também é necessário lavar e cozinhar adequadamente os alimentos. Surtos de hepatite A, por exemplo, podem resultar da contaminação viral de alimentos ingeridos crus ou mal lavados (frutas, verduras, mariscos) (1; 7).

 

Prevenção é a chave: mantenha-se forte contra a virose! 

A prevenção eficaz da virose passa por uma combinação de ações individuais e coletivas: desde a adesão rigorosa à higiene pessoal (lavagem das mãos e etiqueta respiratória), passando pela garantia de saneamento básico, até a vacinação em dia, que é um pilar da saúde pública e tem o potencial de controlar e até erradicar doenças (1; 7). 

 

Embora o tratamento da maioria das viroses seja de suporte, focado na hidratação e nutrição, é a consciência e o investimento em prevenção, tanto na infraestrutura de saúde quanto na educação, que garantem a resiliência da população contra o complexo e inesgotável mundo viral (1; 4). 

 

Além disso, manter uma rotina regular de consultas médicas e exames periódicos é essencial para identificar precocemente qualquer alteração no organismo e garantir uma resposta mais eficaz diante de infecções virais. Seguir corretamente as orientações profissionais, incluindo o uso adequado de suplementos e medicamentos quando indicados, contribui para fortalecer o sistema imunológico. Somado a isso, hábitos saudáveis formam a base de uma vida mais protegida e resistente às viroses do dia a dia. Essa combinação de cuidados contínuos é o que realmente mantém o corpo preparado para enfrentar desafios infecciosos com segurança.

 

Fontes

1 - LEMOS, E. R. S. et al. Tópicos em Virologia. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2023. 306 p. Coleção BIO. ISBN 978-65-5708-151-8. DOI: https://doi.org/10.7476/9786557082119.

 

2 - SILVA, A. S. et al. Viroses emergentes e reemergentes: considerações gerais, vírus da imunodeficiência humana e as zoonoses virais de importância no Brasil. In: LEMOS, E. R. S.; VILLAR, L. M.; LEON, L. A. A.; GUIMARÃES, M. L.; TEIXEIRA, S. L. M.; PAULA, V. S. Tópicos em Virologia [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2023, pp. 87-116. BIO collection. ISBN: 978-65-5708-151-8. DOI: https://doi.org/10.7476/9786557082119.0005.

 

3 - TRETTEL, A. C. P. T. et al. Viroses de transmissão respiratória. In: LEMOS, E. R. S.; VILLAR, L. M.; LEON, L. A. A.; GUIMARÃES, M. L.; TEIXEIRA, S. L. M.; PAULA, V. S. Tópicos em Virologia [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2023, pp. 117-150. BIO collection. ISBN: 978-65-5708-151-8. DOI: https://doi.org/10.7476/9786557082119.0006.

 

4 - BRANDT, K. G.; ANTUNES, M. M. de C.; SILVA, G. A. da. Diarreia aguda: manejo baseado em evidências. Jornal de Pediatria (Rio J.), v. 91, p. S36–S43, 2015. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jped.2015.06.002.

 

5 - SILVA, O. M. et al. Medidas de biossegurança para prevenção da COVID-19 em profissionais de saúde: uma revisão integrativa. [S.l.: s.n.], 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-1191. 

 

6 - ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA (AMB). Diretrizes AMB: COVID – 19. [S.l.]: AMB, 2020. Disponível em: https://amb.org.br/wp-content/uploads/2020/04/DIRETRIZES-AMB-COVID-19-22.04.2020.pdf. 

 

7 - FERREIRA, C. T.; SILVEIRA, T. R. Hepatites virais: aspectos da epidemiologia e da prevenção. Rev. bras. epidemiol., 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S1415-790X2004000400010.

Autor: Myralis
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